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Entrevista para o Jornal do Comercio

Thursday, November 26th, 2009

Dei uma entrevista para o jornalista Renato Mota  do Jornal do Comércio http://www.jc.com.br  para a edição do dia 25/11/09 sobre podcast.  Como não houve  espaço para cobrir todas as minhas respostas, resolvi compartilhar com vocês a entrevista completa. Antes de  lerem lembrem-se que é apenas a minha opinião e não deve ser levada como a última palavra.  Não quero impor nada e sim apenas estou dando a minha opinião sobre um assunto que eu gosto.

Charlie Stupid Little Dog 

Podcast como mídia:

Como você enxerga o podcast como veículo de mídia? Tem futuro? É uma mídia popular na internet ou muita gente ainda está por fora?
Eu enxergo como grande potencial, não como uma mídia opcional e sim como uma mídia independente. Ela ainda não esta popular mas é uma questão de tempo para se tornar conhecido pela massa.

O que lhe chamou a atenção para os podcasts em primeiro lugar?
Justamente a possibilidade de qualquer pessoa ser um emissor de informações e de opiniões sem a necessidade de dar satisfações ao um editor ou chefe. Também por não precisar ter uma licença homologada por algum orgão competente para transmitir suas idéias.

Desde 2005, quando você começou, o que mudou no podcast brasileiro e internacional?
Mudou bastante coisas. No meu tempo o podcast era visto e feito de forma “moleque” como diz o Gui Leite, o segundo podcaster no Brasil. Como não tinhamos uma referência de edição ou até mesmo as facilidades de colocar um episódio no ar como temos hoje, dávamos mais valor a cada podcaster da época, pois sabíamos o esforço de cada um. Até mesmo a nível internacional, houve uma grande mundança ao passo que varias empresas foram criando ferramentas fáceis para se gravar e publicar o podcast.

Como você enxerga a evolução do podcast no Brasil e no exterior?
Eu enxergo dois caminhos diferentes. Por exemplo aqui nos EUA em muitas capitais como New York, os americanos viajam geralmente de carro, onibus ou trem várias horas para chegar em seu local de trabalho todos os dias. O podcast acabou tornando-se um companheiro de viagem obrigatório. No Brasil eu vejo um caminho diferente. Dá-se a importancia em ouvir o podcast online, como se fosse uma radio web na frente do monitor. São duas culturas diferentes e consequentemente duas formas de ouvir ou encarar o podcast.
 
Qual a importância de programas como o iTunes e sites que reúnem vários podcasts?
São realmente os grandes responsáveis pela divulgação e distribuição de podcast. Muita gente veio conhecer o podcast acidentalmente navegando nestes sites ou até mesmo pelo iTunes. Devido a facilidade de você subscrever e baixar os episódios, o podcast está aos poucos conquistando novos ouvintes.

E os Videocasts? São uma evolução? Um meio diferente?
No videocast o foco já é realmente para as pessoas que estão conectadas online. Tanto é que a maioria dos videocasts, estão alistados em sites como Youtube, Blip.TV, Vimeo e etc. O produtor do videocast não se concentra especialmente para video player portateis. O publico maior deles estão justamentes nestes sites de videos que com a popularização da banda larga, cada vez estão disponibilizando videos com boa qualidade.
Temos bons videocasts independentes como também muitos programas comerciais que estão sendo disponibilizados em forma de videocasts. Infelizmente no Brasil as emissoras de TV não estão olhando para esta oportunidade de divulgar o seu produto. Preferem ainda o modelo antigo de restringirem o acesso ao seu video somente pelo site da emissora.
Aqui nos EUA até novela já está disponivel em videocast. Se você der uma olhada no diretorio de videocast no iTunes na loja americana verá todos os grande canais americanos com os seus programas disponibilizados de graça.

Podcast no Brasil:

A redução nos preços dos computadores e da banda larga no Brasil, assim como a popularização de celulares com MP3 e players pode ajudar o podcast brasileiro? Como atingir esse público novo?
Não não podem. Não adianta você dar a ferramenta ou o meio para as pessoas se elas nem conhecem o produto podcast. Aqui mesmo onde boa parte da população tem banda larga, telefones com mp3 players, muitos nem sabem o que é podcast. A poucos dias eu estava ouvindo um podcaster entrevistando um congressista americano e no meio da entrevista ele perguntou o que era podcast. Ou seja um politico que rege as leis americanas e as vezes até leis sobre direitos autorais nas musicas ou a regularização na internet, nunca tinha ouvido falar em podcast. Os jovens também que são os grandes consumidores de telefones celulares,  não tem conhecimento ou interesse em ouvir podcast. Muitos ouvintes de podcasts são pessoas que se cansaram da mídia convencional e descobriram a facilidade de ter um entretenimento alternativo. Não basta ter computador, banda larga, conhecer o que é podcast se a pessoa não tem interesse de ouvir. Este interesse que precisa ser cativado. Para dar certo no Brasil o podcast precisa divulgado por alguém popular. Um exemplo prático foi o que aconteceu com o twitter aqui. Muitos ouviam falar mas não sabiam o que era. Só foi a Oprah (apresentadora de TV) entrar no twitter e divulgar e até ensinar como twittar, ouve uma explosão de usuários imediata. O mesmo se dá com o podcast. Se uma pessoa popular entrar nesta mídia e divulgar o que é podcast com um produto que agrade a massa, aí sim teremos uma explosão de ouvintes.

Como um podcast independente pode concorrer com os institucionais (ligados a jornais e empresas)?
Por continuar sendo independente. (Risos) O que acontece é o seguinte, muita gente dá credibilidade ou fica bitolado a mídia convencional e acaba não tendo a oportunidade de conhecer algo novo, algo independente. Mas também as vezes a culpa é do proprio podcaster. Ser um podcast independente não quer dizer apenas que você não está ligado a certa empresa. Quer dizer que você emite uma informação ou opinião e muitas delas contrarias da mídia convencional. Conheço vários podcasters brasileiros que em seus programas falam ou divulgam as nótícias que estão nos portais ou jornais nacionais. Para que eu vou baixar um podcast com uma notícia defasada – pois por a internet ser dinâmica as informações perdem validade rapidamente – que entre o tempo de o podcaster copiar a notícia, colocar na pauta, gravar, editar o podcast e colocar no ar, a notícia já serveria para um episódio de retrospectiva. O ouvinte logicamente irá preferir baixar o podcast direto da fonte. Eu prefiro baixar um podcast que fala sua opinião sobre certo assunto mesmo que seja uma notícia velha. A notícia geralmente eu já li ou assisti na TV. O que eu e muitos procuram é a opinião ou o ponto de vista diferente da mídia convencional.

Esses podcasts institucionais estão sendo bem feitos? Jornais, portais e outros já “sacaram” qual é a do podcast? Ou ainda estão fazendo “rádio na internet”?
A maioria dos podcasts institucionais são apenas o audio de alguma entrevista, comentários ou notícia que já foi veiculado na rádio. Neste caso a qualidade é boa e a informação geralmente é interessante. Existiu por alguns anos uma certa rejeição desta mídia ao podcast brasileiro. Muitas rádios ficaram com medo de perder ouvintes pensando que o ouvinte iria preferir baixar o podcast. Muitos portais ficaram com medo de perder pageviews em seus sites. Aí eu entro novamente no assunto do iTunes. Se você entrar no diretorio de podcasts americanos, dentre os 100 mais baixados você encontra jornais como NY Times, revistas como Times, Newsweek e canais de tvs como NBC, CBS, Discover e etc. Por que eles estão lá entre os mais baixados? Por que eles enxergaram que o podcast ao inves de que muitos pensam podem sim cativar novos ouvintes ou novos visitantes as suas páginas. Eu faria o seguinte paralelo que uma emissora de TV, uma radio, um jornal ou um portal que não tem um podcast, seria hoje como uma empresa que não tem ainda um site na internet. Para mim não importa se o podcast é apenas um audio que foi veiculado em uma radio e foi disponibilizado em forma de podcast. O importante é que ela está dando oportunidade a aqueles que naquela determinada hora que foi ao ar a informação, ela não estava ouvindo a radio. Com o podscat, aquela informação que atingiu naquele momento milhares de pessoas pela rádio, terá a oportunidade de atingir outras milhares de pessoas por meio do podcast.

Estamos vendo, agora, um “podfade” como você comentou no seu blog?
Este termo “podfade” surgiu em 2005 que significava o desaparecimento de varios podcasts de destaques ou não. E foi algo a nível internacional. Muitos podcasters bons, com uma audiência razoável, em final de 2005 e início de 2006 foram aos poucos saindo do cenario por não gravarem novos episódios. E isto que costumo falar que é algo normal ou natural. Quando você se dedica a um hobby e depois de muito tempo gasto nele, você acaba vendo que ele está roubando tempo que antes você usava para ficar com a sua familia, para se divirtir indo ao cinema, festas ou uma simples caminhada no parque. Como a maioria dos podcasts não tem um retorno financeiro, não tem um grande numero de feedback, você acaba se desanimando e para de gravar. Outros fatores também é o momento que a pessoa grava o podcast. Talvez naquele momento ele tem pouca responsabilidade, não tem namorada, ou é solteiro ainda. Quando estes fatores mudam, entre as responsabilidades e um hobby as pessoas acabam escolhendo a responsabilidade. Mas uma coisa é certa, uma vez podcaster, sempre será podcaster. Por mais que não tenha tempo hoje, mas no futuro a pessoa votará a gravar.

Existem ciclos de crescimento e diminuição da quantidade de podcasts (os melhores ficam e os outros acabam sumindo) ou esse encolhimento é devido a fatores externos (tais como falta de organização e união)?
O que existe é uma empolgação. Quando uma pessoa começa a ouvir o podcast, ela vê que é possivel também criar o seu proprio podcast. Hoje existem várias ferramentas que ajudam e facilitam qualquer pessoa gravar. O problema é que muitos não se concentram numa categoria. Muitos tentam copiar certos podcasts falando sobre a época de escola, filmes de sessão da tarde ou os micos da vida. É legal, é engraçado. mas chega uma hora que este assunto acaba. E aí o seu publico que tava acostumado a rir com os micos da sua vida vai cobrar por mais histórias engraçadas e você não terá ou irá correr o risco de ficar repetitivo lançando epsiódios parte 2 parte 3 até que o publico perderá o interesse e você acabará desistindo de gravar. Se você se concentra num assunto que você gosta, se você cria um publico que está interessado na sua opinião, nos seus comentários, o podcast tem mais chances de sobreviver. Eu as vezes escuto comentários como “mas só temos podcasts de tecnologia, humor e músicas”! Concordo que a maioria são destas categorias mas se você for ver, mesmo sendo de categorias iguais o leque é enorme. Pois você pode se especializar em certo aspecto da categoria tecnologia, da música. Pois o publico tá interessado na sua opinião. Agora se você apenas copiar notícias ou tocar apenas as musicas que estao nas radios, não importando com a sua identidade, corre o mesmo risco de um dia acabar.
Também não vejo a falta de organização ou união para este encolhimento. Sim temos uma falta de organização e temos sim uma desunião grande. Mas vejo como algo normal.
Quando você tem um grupo de 5 ou 10 podcast é fácil ser unido, é fácil se organizarmos. Agora quando temos mais de 500 podcasts por exemplo perdemos o controle. Nem todos aceitam uma sugestão. Uma sugestão que você dá para um podcaster esta mesma pessoa pode achar que é uma critica e aí para criar um “mimimi” é questão de tempo.
 
Dá para fazer um paralelo entre o ciclo de vida dos blogs e dos podcasts? Podemos esperar uma profissionalização maior dos pods no futuro, como têm acontecido com os probloggers?
Eu vejo da seguinte maneira: Hoje com certeza é mais fácil você escrever do que gravar um podcast. Quando a pessoa tem facilidade de escrever, de expor a sua opinião, ela vai procurar se profissionalizar, para ser respeitado, para ter uma certa credibilidade e o mais importante para ter um retorno financeiro. O caminho para o podcast ser profissionalizado do zero é bem maior, cansativo e muitas vezes frustrante. O que eu vejo ocorrer é blogs com uma boa audiência iniciar e ter sucesso no podcast. O inverso é mais difícil mas lógico não impossível. Conheço alguns blogs que iniciaram com podcasts e hoje já estão com um destaque nacional, alguns até parando de gravar dedicando apenas ao blog e outros fazendo as duas partes. Mas para retorno finaceiro infelizmente hoje ainda é mais rápido e fácil pelo blog.
 
Quais são os maiores inimigos dos podcasters brasileiros?
Ego e falta de humildade.

Qual o feedback que você tem por analisar a podosfera brasileira no eddiesilva.com?
Olha, no Brasil infelizmente você não pode opinar ou comentar sobre algo. Você corre o risco de ser chamado de “chorrão” de estar fazendo “mimimi” e talvez seja este o motivo de eu ver muita gente em cima do muro não opinando sobre nada. Eu não me denomino um “expert” em podcast. Eu apenas gosto desta mídia e dou a minha opinião. Não quer dizer que esta opinião tem que ser seguida ou aplaudida de pé. Quer dizer o que eu penso sobre o assunto e gostaria de saber o que outros pensam também no assunto. Mas o que eu vejo geralmente são comentarios ou posts em cima do muro, tendo o cuidado de não citar alguém ou não falar algo que vá de encontro com a “opinião” publica.
Tem certas coisas que não precisa você ser um “expert” basta ver o que ocorre em sua volta, e poderá enxergar o futuro. Por exemplo em 2008 ao final do Prêmio Podcast eu fiz uma análise do que eu achava, do que eu via, do que eu sentia e escrevi  “Quando o podcast brasileiro irá amadurecer?”  falando de muitos problemas que eu via e que em 2009 se não tivessemos cuidado, teríamos um grande podfade como aconteceu em 2005. Recebi na época criticas absurdas, pessoas indignadas argumentando como poderia ter dito aquilo se na época era o auge do podcast brasileiro principalmente ao final do Premio. Bom veio 2009 e para minha sorte (risos) aconteceu. Mas não foi algo que eu tava torcendo para acontecer para provar se eu tava certo ou não. Não foi algo para ficar contente pois varios projetos meus dependia sim de o podcast dar certo no Brasil. Foi algo normal que por analisar friamente a situação como um empreendedor.  Pude prever, como qualquer pessoa poderia, se fizesse a mesma analise fria. Em setembro 2009 eu escrevi outro artigo “Qual é o atual cenário do Podcast Brasileiro? “onde comentava sobre o aviso que eu tinha dado no artigo de 2008. Novamente recebi críticas, pessoas falando mal, que eu queria me aparecer. Então como falei, infelizmente hoje você não pode opinar ou falar algo que vá de encontro com a massa. Mas se eu for ter que escrever coisas como se fosse “mel para os ouvidos” prefiro ficar quieto. Por isso que eu continuo escrevendo independente se alguém vai gostar ou não pois “Alguém Precisa Falar”. Para minha alegria alguns acabam gostando ou refletindo sobre o que escrevi e outros são amigos que já me acompanham desde 2005 esta minha trajetória no podcast brasileiro e sempre me dão apoio mesmo eu falando bobagens. (risos)
 
Existe uma “podosfera”? Qual a importância de se relacionar com os outros podcasters?
Eu entendo “podosfera” como um aglomerado de podcasters em certo cenario. Assim como uns amigos reunidos diariamente num “boteco” podem se chamar de “botequeiros”.
Não acho errado os podcasters se reunir, trocar idéias e ajudar os novos que estão iniciando. Acho errado sim quando em episódios, chats ou até mesmo no twitter, ficam falando mal de outros podcasts como tempo de duraçao, forma que é gravado ou sem edição. A partir do momento que você critica outro “companheiro” de podcast sobre o seu formato, acaba mostrando indiretamente ou melhor dizendo diretamente que a sua forma sim que é a correta. A sua forma de gravar ou editar que é o modelo certo. Aí já mostra a falta de humildade da pessoa e com estes realmente pra mim não vale a pena se relacionar.

Como você vê casos de sucesso como o Rapaduracast e o Nerdcast? Isolados?
Vejo com bons olhos e não podemos negar que muitos que começaram a gravar em 2008 e 2009 foram por causa deles. Alguns podem achar que sou demagogo por falar isto sendo que critiquei eles no meu ultimo artigo por não darem apoio ao podcast brasileiro. Infelizmente o que eu falei foi tirado do contexto e muitos ficaram indignados como já citei. Na realidade eu apenas quis dar um puxão de orelha pela a amizade que eu tinha com eles na época. Acho que exagerei no puxão e eles nem participaram no Prêmio por causa disso. Mas mesmo assim eu admiro o esforço que eles fizeram para chegar onde estão. Souberam usar a audiência de seus blogs com podcasts bem editados, com assuntos interessantes, alternativos e com uma boa dose de humor. Acredito que podem existir outros podcasts que tenham o mesmo sucesso. Desde que criem suas identidades, sejam originais e sejam profissionais. Hoje infelizmente as pessoas não são ou não querem ser criativas. Muitos preferem copiar a forma de abertura do nerdcast, muitos copiam até a forma que é postada a foto sobre o assunto do episódio no blog. Alguns raciocinam que tem que copiar o que deu certo. Com este pensamento serão eternamente uma “copia”. O segredo do sucesso do Nerdcast e Rapaduracast é a criatividade e a originalidade. Eu até entendo o porque o Nerdcast ou o Rapadura não se preocupam com os clones. Pois além de ser uma forma de divulgarem eles indiretamente, está bem claro que por um bom tempo eles não terão concorrentes a alturas. Mas esta é a minha opinião.
 
Prêmio Podcast:

Como começou o Prêmio Podcast? Qual era seu objetivo na época?
A ideia original foi em 2005 mas como na época tinhamos algo como 50 podcast ou menos, eu acabei engavetando o projeto. No início de 2008 o site iBest teve uma categoria Podcast a pedidos dos usuários e foram premiados na época os podcasts que realmente tinham maior audiência. Mais audiência, mais chances de ter votos. Eu vi que muitos podcasts bons não tiveram a mesma oportunidade de concorrer de igual pra igual e nem tinham a oportunidade de divulgação. Acabei entao tirando o projeto da gaveta e dei início a criação do Prêmio. Invez de eu criar um premio sozinho fechado, eu fiz algo bem transparente. Os podcasters ajudaram dando suas opiniões na regras que eram criadas, nas categorias e até na escolha do troféu. O premio em 2008 foi um sucesso devido a união e apoio de todos os podcasters participantes. Tivemos 200 inscritos para um cenário de 350 podcasts na época. O maior objetivo era a divulgação do podcast e foi cumprido pois muitos chegaram a conhecer novos podcasts devido o Prêmio. Até mesmo muitos que ganharam pelo quesito do Juri, a maioria dos ouvintes nunca tinham ouvido falar e depois de baixar os episódios acabaram gostando e assinando o podcast até hoje. Posso dizer tranquilamente que o objetivo de divulgação e dar a mesma oportunidade a um podcaster pequeno de concorrer um premio com um podcaster grande foi cumprido.

O que podemos esperar para o Prêmio de 2009? O que tem de novo e o que vocês aprenderam com a primeira versão?
A qualidade de podcasts neste ano aumentou embora o numero de concorrentes baixou. Tivemos 120 inscritos. Os motivos são vários, uns não continuaram a gravar, outros não quiseram por motivos pessoais, se ofenderam com o que escrevi em algum artigo e outros não estão nem aí mesmo com premiação. Falam que premiação é evento para alimentar o ego.
Eu sinceramente fiquei decepcionado com o nível que a pessoa pode chegar por causa de um troféu. Houve muita acusação entre concorrentes, um achando que o outro estava fraudando os votos por um dia estar em último e no outro dia em primeiro. Foi como falei no início, certas coisas não precisa ser um “expert” para entender ou prever algo. Muitos dos participantes tinham episódios quinzenais ou mensais. É normal então você ficar 15 ou 30 dias abaixo na votação e no lançamento de um episódio novo fazendo a campanha de votos, receber uma arrancada nos votos. Alguns viam esta arrancada como uma possível fraude de votos. Felizmente o nosso sistema de votação é muito seguro. Além de varios backups que eram feitos diariamente, o sistema acusava votos vindo do mesmo IP, votos vindo de Proxys. Para o voto ser validado precisava passar por 6 regras de segurança. Também o sistema fazia cruzamento com informações dadas no ato da inscrição e dos comentários dados no ato do voto. Estamos bem tranquilos que o ganhador do voto popular teve votos justos e válidos. Mas o problema de tudo isto é o ego e falta de humildade. Enquanto as pessoas acharem que o seu podcast é melhor do outro e merecia estar entre os indicados para votação do juri ou achar que você tem mais ouvintes que outros porque o podcast concorrente não tem muito comentários, ou o pagerank do site é baixo, isto sim é burrice e não precisa ser nenhum “expert” para saber disso.
 
Qual o futuro do Prêmio? Esse deve ser realmente o último?
Eu anunciei antes de terminar o prêmio a minha aposentadoria para projetos ao podcast brasileiro. Hoje eu não tenho nenhum animo de levar projetos meus que tinham a finalidade de ajudar a monetização e divulgação do podcast brasileiro. Gosto desta mídia, acredito no potencial mas quando suas propostas ou ideias e principalmente sua integridade é questionada por certos indivíduos que não tem a capacidade de fazer algo melhor, é triste e frustrante. Não quero dizer que não é possível aparecer uma premiação melhor. Pode sim e tenho certeza que irá aparecer. Hoje uma agencia, portal ou grupo de empreendedores tem grandes chances de criar uma premiação com maior abrangência, com maior destaque no cenario nacional, com mais participantes e com uma bela festa de entrega de trofeus. Basta pegar o que deu certo no Prêmio Podcast e o que deu errado segundo os “reclamantes”.  Isto é possível e fácil de fazer quando se está no Brasil. O Premio Podcast eu organizei aqui dos EUA, muitas noites mal durmidas, utilizando somente o meu tempo disponível, fora do trabalho. Os jurados também tendo que ouvir e avaliar podcast por podcast, fazendo no seu tempo disponível, sem ter um retorno financeiro só pelo fato que ama esta mídia. A empresa também que cuidou da segurança do sistema fazendo sem um retorno financeiro ou divulgação. Tudo por causa de gostarem do podcast. Posso dizer sem dúvida que os organizadores e jurados, fizeram tudo tendo como o objetivo ajudar na divulgação do podcast brasileiro. Se hoje tivessmos mais pessoas com este mesmo objetivo, acredito que seria mais fácil. Hoje pra mim não terá a terceira edição em 2010. Mas nunca se sabe. Pode chegar uma empresa, uma agencia propondo algo e aí podería até repensar. Mas nos moldes que foram feito em 2008 e 2009 sem patrocinio, colocando dinheiro do meu bolso, com certeza não teremos.
 
Geral:

Quais são seus podcasts favoritos que estão no ar hoje? E entre os que já se foram? Quantos você escuta por semana?
Muitos dos podcasts que eu escuto semanalmente, estão participando no Prêmio Podcast e como organizador e um dos jurados não posso divulgar pois para alguns estariam mostrando favoritismo. Entre os que se foram, eu sinto falta da Garota Sem Fio da Bia Kunze, do Gui Leite Podcast, RossoPomodoro e das meninas do Monaliza de Pijamas. Mas tenho certeza que eles votam um dia. Eu também escuto varios podcasts americanos como do Leo Laporte, Adam Curry, John C. Dvorak entre outros. Escuto uma média de 7 horas por dia de podcast que dependendo do tamanho pode ser de 8 a 10 podcasts diários de segunda a sexta. Sábado e domingo eu dou folga aos meus ouvidos a não ser que tenham alguma gravação online LIVE.

Para você, o que é um podcast de qualidade? Não no sentido “qual a fórmula do sucesso?”, mas o que um podcast tem que ter (ou não ter), para ser bom, agradável de ouvir independente de retorno financeiro?
Para mim podcast é bom quando termina e você quer ouvir o proximo. Tem que cativar o ouvinte. E isto só irá acontecer com um bom conteúdo, com respeito aos seus ouvintes e com respeito a outros podcasters. Muitos podcasters esquecem que os ouvintes tiraram tempo para baixar, ouvirem e mandarem uma critica. Quando a pessoa desrespeita o ouvinte, ela perde no mínimo 2 ouvintes, a pessoa que foi desrespeitada e eu. O conteúdo não precisa ser de humor ou só de música para me cativar. Qualquer assunto que é falado com propriedade pode me cativar e conquistar um publico específico. A formula do sucesso é a humildade, respeito com ouvintes, periodicidade, criatividade e mais importante gostar do que você faz.
 
O que se precisa para fazer um podcast? Quais os principais softwares e onde hospedar o arquivo?
Hoje é muito fácil fazer um podcast e colocar no ar. Com um laptop ou um velho computador você consegue gravar um bom podcast. O que pode ajudar a melhorar a qualidade seria um microfone USB onde a gravação do audio passaria ser digital e diminuiria os chiados que os microfones normais que gravam o som análogo dão. Um bom programa para gravar e editar o audio é o Audacity (http://audacity.sourceforge.net/) que é gratis. Na internet tem muitos tutoriais de como utilizar este programa. Grave em lugares que não tem muito barulho. Já ouvi podcasts bons que por incrivel que pareça foram gravados no banheiro pois eram o local mais silencioso na casa. Computadores velhos geralmente fazem muito barulho principalmente se está na mesma mesa que está o microfone. Boa solução é colocar o computador no chão e limpar o pó do ventilador dele. Irá diminuir consideravelmente o barulho. Os sistemas de blogs como o Wordpress também tem plugins para você postar o seu podcast onde cria um feed automaticamente e também a possibilidade de colocar os players na sua página para o ouvinte ouvir direto online. Mas de nada adianta você ter tudo preparado se você não ter um foco, um assunto. Prepare uma pauta tendo em mente o que os ouvintes pensarão. Tente sair do obvio. Um assunto demasiado na mesma semana em varios podcasts acaba afugentando os ouvintes dos podcasts menos expressivos. Seja original. Crie a sua identidade. Cada programa tanto em podcast como na radio ou tv tem uma identidade propria. Um exemplo quando ouvimos “Bem amigos” o que vem na mente é o Galvão Bueno. Imagina se todos os locutores ou podcasters iniciassem seus programs com o “Bem amigos” do meu podcast. Automaticamente iremos lembrar do Galvão Bueno. Esta é a identidade dele, esta é uma maneira dele ser lembrado. Do mesmo modo no podcast. Muitos copiam o Nerdcast ou outro podcast em destaque. Acham legal, acham que não tem nenhum problema, mas tem. Você estará gravando um podcast sem identidade e será fácilmente esquecido no dia que parar de gravar.
Para hospedar podcast temos varios sites especializados. O mais conhecido é o mevio.com site do pai do podcast, Adam Curry. Para videocast temos boas opções mas o que eu recomendo é o blip.tv que tem a possibilidade de você ganhar com anuncios que são inseridos ao início do seu videocast.

O que você diria para quem ler a matéria e se interessar em produzir um podcast?
Primeiro, não acreditem em tudo que falei aqui. (Risos) Pesquisem, corram atras para aprender. Na internet tem boas informações em portugues para ajudar a gravar um podcast. Não pense que seu primeiro episódio deverá ser igual dos podcasts em destaque nacional. Com o tempo você vai aprendendo. Não tenha vergonha da sua voz, não tenha medo de expor sua opinião. Esta é a beleza do podcast, você poder falar o que quiser sem se preocupar com um editor. Mas não é por isso que você irá sair por aí falando o que quiser achando só porque é uma mídia livre todos irão escutar. As pessoas irão escutar se o que você fala tem propriedade. Se você critica algo, explique aos seus ouvintes porque você não gosta. Para mim não basta apenas dizer “eu não gosto do cara” Para mim você deverá me explicar e tentar convencer o porque você não gosta do cara. Eu as vezes escuto alguém falar no podcast “O Bill Gates é um burro” falando sobre algo que a MicroSoft fez. Mas não dá nenhum motivo porque ele acha que o Bill Gates é burro. Alias por fazer um comentário deste já mostra que a pessoa não tem nenhum conhecimento sobre o assunto pelo fato de primeiro o Bil Gates não estar mais no comando da MS e segundo que para onde ele chegou, com certeza com pouca inteligência não chegaria la. Se você gravar entrevistando alguém, deixa a pessoa responder as perguntas, deixa elas expressarem suas respostas até o fim, nunca interrompa o entrevistado para contar algo que aconteceu na sua vida. Use uma a caneta e papel para ir anotando o que veio na sua mente na hora da entrevista mas deixe a pessoa falar até o fim e não interrompa, pois o entrevistado pode perder o fio da meada e seus ouvintes ficarão com raiva de você assim como geralmente acontece nos talk shows que vemos na TV quando o apresentador quer provar a todos que sabe mais que o entrevistado.
E o principal, se divirta em gravar. Não faça algo pensando em retorno financeiro imediato, pensando em fama nacional ou destaque na sua cidade. Faça algo que ao final da gravação você tenha o prazer de ouvir. Quanto mais prazer você tiver no seu podcast, mais chances dele ter uma loga vida.
E para aqueles que não querem gravar mas apenas ouvir, eu dou a dica de respeitar os podcasts que você não gosta. Não é porque você só gosta de um podcast que os outros são ruins. Não ser do estilo que você gosta não quer dizer que o outro podcast não tenha uma boa informação, que não tenha uma boa qualidade. Navegue pelo site do Prêmio Podcast e você irá descobrir ótimos podcasts, tenho certeza.

Pendurando os Microfones

Friday, November 6th, 2009

ferias

Em todas as profissões existe um momento onde você se aposenta, se retira do cargo ou dá espaços para os novos empreendedores. Os motivos são diversos como o cansaço, tá ficando velho ou suas idéias já não são compatíveis com a atualidade. Com esta pequena introdução gostaria de anunciar a retirada da minha participação ativa no podcast brasileiro. Nestes quase 5 anos de participação por meio de listas de discussões, reuniões, eventos e promoções me ajudaram a gostar mais desta mídia que é o podcast. Ganhei muitos amigos e parceiros mas criei inimizades e mal estar na “podosfera” por as vezes falar o que eu penso. Posso afirmar que o saldo para mim foi positivo e estou grato a todos os amigos que sempre me deram apoio e respeitaram meu ponto de pensar mesmo sendo contra o modo de pensar deles.

Desde o início do podcast no Brasil muita coisa mudou. Umas coisas para melhor, outras para o “retrocesso” como diria o Wanderley Nogueira, “na minha maneira de pensar”. Acho que realmente para mim chegou o momento de parar, de se envolver em promoções ou realizações que ajudavam a divulgar o podcast brasileiro como o Prêmio Podcast. Embora este prêmio tenha ajudado muitos a serem divulgados, acredito que ficou um pouco desgastado e tenha perdido o foco original que era apenas a divulgação do podcast no Brasil. A edição de 2009 será realizado normalmente até o final e mais detalhes irei dar no blog do Prêmio, mas as chances de ocorrer a terceira edição no proximo ano são remotas. Não posso afirmar que nunca mais farei mas neste momento não tenho mais interesse em disponibilizar a maior parte do meu tempo, dinheiro para uma premiação onde todos os dias recebo reclamações, denúncias sem fundamento e brigas entre pocasters um querendo provar que é melhor que o outro.

Quando tive a idéia de realizar o Prêmio Podcast, eu queria fazer algo melhor que o iBest estava fazendo que era dar a mesma oportunidade que os “grandes” tinham em receber os votos de seus ouvintes com aqueles que poucos ouvintes tinham e nenhuma chance de reconhecimento teriam. Uma prova disso foi o ganhador do Prêmio Podcast 2008 pelo Juri técnico que com o seu seleto grupo de ouvintes jamais teria a chance de concorrer de igual pra igual com os mais famosos e líderes de audiência.

Hoje em dia temos muitos experts no podcast brasileiro, muitos dando palestras, criando tutoriais, podcasts ensinando como fazer um bom podcast e assim por diante. Acho ótimo que cada um esteja fazendo a sua parte em vez de ficar sentando apenas na frente do monitor reclamando e achando defeito de outos. Por isso tomei a decisão de ceder este meu espaço no podcast brasileiro que talvez para alguns era conduzida de forma errada e dar aos críticos a oportunidade de fazer algo melhor. Tenho certeza que pode sim aparecer um novo prêmio no cenário do podcast brasileiro  até melhor e não é demagogia. Pois é simplesmente tirar tudo de “errado” que aconteceu nas duas edições do Premio Podcast e utilizar o que deu certo.

Eu mais do que ninguém sei que é difícil e humanamente impossível fazer um prêmio sem uma agencia de publicadade por de tras, sem patrocinadores, sem pessoas trabalhando em prol do Prêmio 24 horas por dia. Mas acreditem, conseguimos fazer isto e o que a organização do Prêmio fez nestas duas edições merece meu parabéns e tenho o maior orgulho de ter trabalhado com eles tanto como organizadores como também os jurados. E ponho a minha mão no fogo por eles em qualquer ocasião pela honestidade e integridade que mostraram no decorrer das duas edições.

Como falei no início, nestes anos ganhei muitos amigos e eu agradeço a todos pelo apoio que sempre recebi através de emails, comentários ou um simples replie em algum anuncio que fiz por meio do twitter. Vocês embora não coloque o nome de cada um aqui sabem que estão na minha memória e agradeço de coração mesmo.

Esta minha retirada significa que vou me dedicar exclusivamente aos meus projetos e voltar a escrever sem me preocupar se o que eu falo ou escrevo vai deixar alguém indignado. Eu gosto desta mídia que é o podcast e gosto de expor a minha opinião e respeito sempre a opinião de outros. Mas não estarei se envolvendo com o publico ou com os podcasters em geral para realizar algum evento. Acho realmente que o meu tempo e oportunidade de ajudar o podcast brasileiro passou. Tá na hora de outros assumirem.

Tenho também alguns projetos pendentes que tinham o objetivo de monetizar o podcast brasileiro mas vou conversar ainda com os envolvidos para saber se levamos a frente ou deixamos quieto. De qualquer forma agradeço o carinho e compreensão de todos.

VQV

Qual é o atual cenário do Podcast Brasileiro?

Friday, September 4th, 2009

closed

Na última quinta-feira a podosfera ficou agitada com o anúncio das meninas do Monalisa de Pijamas sobre o fim do Monacast. Para muitos foi uma surpresa e eu mesmo sabendo com alguns meses de antecedência devido a Raquel (Mafalda) ter me contado sobre esta possibilidade, acreditava ainda na esperança que não fosse verdade. Infelizmente este dia chegou e deixou muitos ouvintes tristes. Não vou ficar aqui insistindo para as meninas voltarem, pois conforme elas mesmo disseram, muita coisa pesou e foi uma decisão formada a vários meses. É uma pena, é um excelente podcast e realmente fará falta no cenario brasileiro.

Mas não estou aqui para falar delas. Estou aqui para falar o podcast no cenário brasileiro. Sei que será um assunto delicado onde pessoas poderão se sentir ofendidas ou indignadas com algumas observações minhas. Sei também que as vésperas do lançamento do Prêmio Podcast 2009, este artigo não poderá ajudar na divulgação do prêmio. Então porque vou escrever? Porque sou chato  e Alguém Precisa Falar.

Em dezembro de 2008, num artigo intitulado “Quando o podcast brasileiro irá amadurecer?” comentei do perigo de em 2009 acontecer o mesmo que aconteceu em 2005 onde muitos pararam de gravar. No texto eu expliquei o porque e recebi na época muitas criticas não só pelo twitter como também na lista de discussão sobre podcast. Alguns podem pensar agora que estou aqui “rotando camarão” e jogando na cara o “Mas eu te disse” e como “certos” deram a entender hoje, estou alegre por ter profetizado este “podfade” em 2008 depois de ter comentado no twitter que eu escrevi um texto sobre exatamente o que está acontecendo.

Voltando ao cenário brasileiro, muitos hoje começaram a discutir o porque de podcasts acabarem. Muitas teorias como falta de feedback, falta de tempo, patrocínio entre outros foram citados. Até que um amigo meu pediu a minha opinião sobre o cenário atual. O que mudou desde que eu escrevi o texto em 2008. Olha vou ser bem sincero e é apenas a minha opinião o que não deve ser levado a sério a não ser que ajude as pessoas discutirem ou formarem uma opinião sobre este assunto. O Podcast brasileiro do jeito que anda não tem futuro. Eu sei que é uma afirmação forte e para alguns possa até ser errônea, mas ao analisar friamente sem amizades e sem interesses, chego a conclusão que do jeito que as coisas andam, será questão de tempo para esta mídia parar no tempo. Não quer dizer que o podcast irá acabar. Pelo contrário, alguns irão sobreviver e teremos sempre novos podcasts inspirados talvez nos que acabaram. Você pode pensar, o que este maluco tá falando que o podcast não tem futuro e logo em seguida falando que irão aparecer novos podcasts e tal?

Quando digo que o podcast não tem futuro do jeito que as coisas andam, eu quero dizer como uma comunidade. Como uma mídia unida em prol dos interesses de todos. Para tentar explicar o que eu quero dizer, terei de traçar ponto por ponto sobre o atual cenário do podcast brasileiro. Vou tentar aqui descrever alguns  motivos que ajudam acabar com o podcast.

Imprensa
Embora este ano alguns canais de comunicações, portais começaram a investir no podcast, não fizeram da forma certa. Existe um grande desrespeito da mídia jornalística em cima do podcast independente, que não seja corporativo. Dois exemplos para ajudar o meu raciocínio: Em 2008 durante o Prêmio Podcast, eu como organizador fui entrevistado pelo Estadão no caderno Link. Esta entrevista além de tomar o meu precioso tempo, gastou alguns impulsos de chamada internacional, por ter me oferecido ao “jornalista” para eu ligar na redação, afinal era meu interesse também em divulgar o Prêmio. No dia previsto para sair a matéria, tive a surpresa de minha entrevista ser resumida em apenas uma linha “Este ano terá o Premio Podcast”. Nunca vi na minha vida em todos os anos que trabalhei na area jornalistica, um tremendo desrespeito ao entrevistado e o pior, ao podcast brasileiro. Este mesmo jornal que procura informar as pessoas, coloca uma seção de podcasts em seu portal, sem feed. Em outras palavras, se não tem feed, não é podcast. A impressa sim  tem grande parcela de culpa do podcast brasileiro não ir para frente. Um por desinformação e outro por interesses.

Feedback
Outros culpam a falta de feedback. Pode até ter uma certa parcela de culpa mas não que necessariamente isto influa diretamente. Falta de feedback não quer dizer que o seu podcast é ruim ou não é ouvido. Um bom exemplo que eu gosto de usar é o podcast do Adam Carolla. Ele tem uma média de 500 mil downloads por semana. Está sempre no top do iTunes Store. A média de comentários no site dele de 100 ou 200 por episodio. (O site deu um crash e perdeu os comentários)  Não faria sentido ele parar de gravar um podcast que tem uma média de meio milhão de downloads por episódio só porque tem pouco feedback. Para ele o feedback principal é os ouvintes dele continuarem baixando os episódios. Isto deveria ser o pensamento dos podcasters no Brasil mas como sabemos não é. No Brasil falta de comentário é falta de interesse do ouvinte. Não levam em conta que nem sempre o ouvinte tem tempo disponível para comentar, pelo fato de muitos nem entrarem nos sites baixando diretamente os episódios pelos feeds.

Publicidade
Muitos falam que a falta de publicidade ajuda acabar com o podcast. Bom a realidade é que no Brasil o podcast não está preparado para receber publicidade. São vários fatores que contribuem esta falta de preparação. Primeiro o anunciante ou agencia não se interessa nos podcasts com baixa audiência e isto que estamos falando numa média de 10.000 downloads. Aí temos o público. Não foi a muito tempo atras que tivemos uma indignação de ouvintes por que seu podcast preferido estava com anuncios de acordo com o episódio. Nem quero entrar no mérito da questão se é correto ou não fazer isto. O que acontece é que o publico se acostumou sem a publicidade e agora muitos não entendem que para poder viver disso, sem correr o risco de parar de gravar, precisa sim patrocínios. Depois que o podcast para, vem a turma do “Vamos fazer campanha para eles voltarem”  e aí my friend é too late.

Desrespeito
É incrivel como os ouvintes e acreditem, não é somente no Brasil pois aqui também acontece,  desrespeitam  um podcaster quando grava um episódio de um assunto que não é do seu interesse. Não concordo com a cobrança do publico por uma coisa que recebe de graça. Meu pai sempre dizia antes de morrer, “se você está assistindo um programa na TV e não gosta, mude de canal. Não perca tempo da sua vida assistindo e criticando o programa. Seria burrice da sua parte”. Se ele não falou isto, tenho certeza que faltou oportunidade. Então, não gostou do episódio? Dá um stop de player e deleta o arquivo. Pare de reclamar por algo que os podcasters dedicaram parte do seu tempo em criar a pauta, gravar, editar, fazer show notes, deixando tudo certinho para você receber o episódio no itunes. Aproveite o tempo que você economiza ao não escutar o podcast de um assunto que você não gostou e procure novos podcasters. Abra o seu horizonte, e veja que o mundo não está conectado a um ou dois podcast apenas. Tem muita coisa boa por aí.

Falta de Apoio
Este ponto agora é delicado. Quando comecei com o podcast em 2005, o que motivava a gravar era o apoio dos podcasters pioneiros. Ficava contente quando o Gui Leite, Macari, Maestro Billy, Bia Kunze, Sergio Vieira, Marcelo Oliveira, Vito Andoline, Alexandre Sena, enfim todos os antigos citavam algum lance  do meu podcast ou de alguma frase que eu utilizava. Sabia que meu podcast não era bom o suficiente para cativar a audiência deles regulamente. Mas ficava animado com uma simples citação mesmo sabendo e tendo certeza que provavelmente eles não me ouviram. Eu via o interesse dos “Pioneiros” em divulgar esta mídia sem interesses proprios e sim pela possibilidade que estávamos tendo na época. Foi o motivo que me induziu a criar um portal para hospedar podcast e depois criar o Prêmio. Afinal eu assim como eles, estava e estou interessado na divulgação do podcast brasileiro e queria incentivar os novos.
Hoje infelizmente isto já não acontece. Os podcasters hoje que são o destaque no cenário nacional não dão apoio na divulgação da mídia. E antes de levar pedradas deixe me explicar. Concordo por exemplo que o pessoal do Nerdcast e do Rapaduracast não tem tempo para ouvir outros podcasts, devido terem que cuidar dos sites, das pautas, das edições e etc. Por este motivo que realmente pode ser válido, eles acabam não se envolvendo na podosfera e não incentivam esta mídia maravilhosa que é o podcast. Eles não tomam a iniciativa de fazer algo em prol do podcast assim como os pioneiros faziam. As vezes até entendo o motivo, mas infelizmente o que dá a entender é que eles estão mais interessados nos seus podcasts do que o podcast brasileiro. E não os culpos pois afinal eles conseguiram ganhar $$ com o podcast e precisam se dedicar a ele. Muitos e até mesmo eles podem achar um absurdo o que estou falando mas o fato é que se eles começarem a dar apoio, a incentivarem a ouvir outros podcasts e até mesmo começar a citar, tenho certeza que muitos assim como eu em 2005 terá o animo em gravar e muitos farão o mesmo em incentivar e citar outros. Pois se os “Grandões” derem exemplo, os “Menores” irão seguir. As vezes uma simples citação será o suficiente para animar o ego dos “suplicantes”. O que eu cobro também deles é uma participação mais ativa tanto nas listas como no twitter para discutir como podemos divulgar mais e mais o podcast brasileiro. E todos realmente notam a falta do apoio deles e espero que eles possam entender a minha puxada de orelha neles pois afinal, eu os admiro e tenho um grande respeito.

Desunião
Este pra mim é o principal motivo do podcast brasileiro não ir para frente. A podosfera não é unida e existe sim muita inimizade. Mas como esta desunião prejudica o podcast brasileiro? Vamos começar com a ABPOD. A associação foi criada com o objetivo de unir a comunidade, trabalhar pelos interesses do podcast brasileiro. Hoje é claro que todos gostam do presidente Maestro Billy e uma parte dos podcasters não vão com a cara do vice-presidente que é o Ricardo Macari. Eu realmente até entendo os motivos ou as “picuinhas” envolvendo as duas partes. Tanto eu como o proprio maestro Billy já tentamos de várias formas interceder nos bastidores para tentar melhorar a situação mas foi em vão. Com isto projetos interessantes que podiam ser feitos na associação, ficam parados devido estas diferenças. Devido esta desunião, uma lista de discussão acabou sendo dividida.
E nesta nova lista de discussão onde estudávamos a possibilidade de fazer uma cobertura na Campus Party 2010, foi citado abertamente que o pessoal não queria dar o apoio a ABPOD na Campus Party, devido ninguém gostar do vice-presidente. Acabou deixando claro que alguns não estão interessados na divulgaçao do podcast brasileiro e sim nos seus proprios interesses tanto é que a discussão sobre este tópico morreu. Eu sei, são palavras pesadas o que estou falando mas não são novas. Pelos comentários na lista de discussão, todos podem chegar a mesma conclusão. 

Podcast tem Futuro?
Não! Enquanto tivermos estes problemas que citei a cima, não vejo um futuro promissor. As vezes acho que teríamos de começar novamente do zero. Sem “picuinhas”  sem interesses próprios, sem egos, sem sei lá o que. Mas é tarde. O podcast vai continuar, alguns irão sobreviver, outros não. Mas chegará um momento onde o podcast será produtos de portais e o “pequeno independente”, irá morrer aos poucos ao ficar cansado de nadar contra a correnteza e contra todos os problemas citados neste texto.

E o Prêmio Podcast?
Este será já um assunto para outro post.

E o Barraco de hoje?
Bom se é para o bem do podcast brasileiro, eu peço desculpa por ter iniciado e não ter colocado o @ antes do nome do Eduardo Moreira. Muitos podem achar que eu persigo ele, mas não é dada disso. Mesmo tendo estas diferenças eu admiro o esforço dele e acreditem eu continuo ouvindo os podcasts dele.  Eu como amante de podcast eu escuto boa parte dos podcasts brasileiros, justamente para saber e poder dar as minhas opiniões sobre o cenário nacional. O motivo de pedir desculpas é que preciso também dar o exemplo. Se falei que existe uma desunião, tenho que ser o primeiro em corrigir isto para que outros também possam corrigir. Soou demagogia né? Se vocês me conhecem realmente sabem que não é.

Abraços e VQV

Existe ética no podcast brasileiro?

Thursday, July 2nd, 2009

A princípio esta pergunta parece muito pesada ou até ofensiva quando lemos apenas a “headline” e não paramos para analisar a realidade. A maioria quem sabe pode pensar que Podcast é uma mídia livre, não regularizada, sem normas ou regras para serem seguidas.
Por isso mesmo que precisamos de uma ética para não dependermos de leis ou regulamentos e usarmos o nosso bom senso. Eu resolvi escrever sobre isto porque eu parei para analisar. O que me motivou foi justamente um “barraco” que tivemos hoje na “podosfera” através do twitter.
A @amandawy do podcast Decodificando lançou algumas críticas ao podcaster e blogueiro @oeduardomoreira do TargetHD sobre usar informações tiradas de outros sites em seu podcast e não citar as fontes.
Cada um pode interpretar por si mesmo o diálogo dos dois e de alguns simpatizantes olhando no historico de cada twitter. Mas o meu objetivo aqui não é achar um culpado ou um inocente e sim fazer você pensar na minha pergunta inicial.

Desde que eu comecei a ouvir e trabalhar com podcast em 2005, a preocupação de todos na época e que se estende até hoje é se podemos tocar músicas comerciais nos podcasts. Houve até na época, um movimento dos “podsafes” – podcasters que usavam músicas com Creative Commons – no qual marginalizavam alguns que tocavam músicas comerciais. Felizmente depois de muita luta da ABPod – Associação Brasileira dos Podcasters – conseguimos em 2008 um acordo inédito com o ECAD – Escritório Central de Arrecadação e Distribuição de Direitos Autorais – onde qualquer associado pagando uma taxa de 1 UDA ($44,00) poderia usar músicas com direitos autorais nos episódios. Alguns se cadastraram e continuam pagando a mensalidade ao ECAD até hoje.
Será que somente estes podcasts que pagam o ECAD tem ética no podcast?  Não!

Eu posso falar sem medo que muitos ou se não a grande maioria dos podcasters brasileiros não tem alguma forma de ética. A ética ajuda você discernir se o que você está fazendo é “ilegal” ou não. A ética embora não seja uma lei em si ajuda as pessoas a fazerem o correto.
Muitos acham que o correto e o ético é pagar o ECAD. Outros acham que o correto e o ético é não tocar músicas comerciais. E tem os que não estão nem aí e que se dane o Nelson Ned.

Mas que dizer dos textos ou informações usadas e “chupadas” para criar os roteiros dos podcasts?

Poucos podcasts que conheço criam seus proprios conteúdos. Muitos dependem de informações que estão disponíveis em portais, blogs ou até mesmo a Wikipedia.

Como funcionaria a ética neste caso?
Bom primeiramente sabemos que não podemos ficar dando copy & paste a “merce” de tudo o que vemos pela frente. Hoje as regras e leis sobre direitos autorais já estão em rigor na internet. Por lei em muitos blogs, sites ou portais não podemos usar o conteúdo, modificar e até mesmo traduzir sem a devida autorização do autor. Alguns sites podemos re-usar o conteúdo se estiver disponível em Creative Commons como no caso da Wikipedia mas mesmo assim devemos seguir as regras definidas pelo site que é citar a fonte, colocar a URL do artigo usado dentre outras regras. O não cumprimento de algumas delas, invalida a sua autorização de re-uso. Bom estas são as regras e leis sobre usar conteúdo de outros sites.

O que dizer da ética?
A boa ética seria usar conteúdo somente em Creative Commons e citar a fonte não somente no show notes do episódio como também no audio – pois muitos usam o feed para fazer o download.
Como sabemos que para muitos é impossível fazer podcast somente com Creative Commons devido depender de notícias, biografias ou matérias. Neste caso teríam de usar uma “ética” fio do bigode uni-lateral por assim dizer. Em outras palavras, “eu sei que não posso usar o teu conteúdo, prometo citar todas as fontes tanto na minha página como no meu audio e o dia você pedir para eu parar de usar, eu paro.”
Lógico que nenhum site ou portal faria este acordo com você de graça. Este acordo seria somente da sua parte. Mesmo as leis não permitindo isto, o ético sería no mínimo você citar todas as fontes – inclusive o da Wikipedia – no site e no audio. Para alguns seria revelar sua fonte ou sua galinha de ouro, para outros seria mostrar que sem estas informações “chupadas” seu podcast não seria nada.
Com o crescimento do podcast brasileiro, estamos vendo que para fazer um podcast, além do seu computador e microfone e tempo, você precisa incluir a ética na lista.
Agora você ouvinte ou podcaster, depois de analisar friamente todos os podcasts que você escuta ou grava, consegue responder a minha pergunta inicial sem “pestanejar”?

Eddie Silva News Talk Show #43 – Live

Monday, April 27th, 2009

Rafael PortilloNo episódio de hoje foi um bate papo sem roteiro ou script com o Rafael Portillo do site TeiaCast numa gravação Live e com a participação dos ouvintes via chat.

Vale a pena assisitr ou ouvir.

Acesse também o Canal de Videos   para assistir outros episódios

Links relacionados:

www.teiacast.com.br   -  Blog sobre Podcasts   
www.raopo.com.br – Blog Pessoal
www.limiar.raopo.com.br – Blog Sobre Mensagens Subliminares
www.lutadores.raopo.com.br – Blog Sobre Enredos de Games

Se gostou do episódio por favor deixe o seu comentário e diga também do que está achando do novo canal no Mogulus sobre a qualidade de audio e video.  O que poderia ser feito o que poderia ser melhorado. E antes que me esqueça, obrigado pelo seu apoio.  VQV my babie!

Alguém Precisa Falar #41

Monday, April 13th, 2009

Gustavo VanassiNesta semana eu bato um papo com o Gustavo Vanassi direetooo de Caxias do Sul (RG) e do podcast Depois das 11.
Você tem a opção de assistir, ouvir podcast em qualidade normal ou em qualidade (conexão discada). Visite o site só de videos do Seu Silva.

Gustavo Vanassi – Podcast  Depoisdas11.com

Twitter: @vanassi

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 Outros Formatos: FLV  MP4

Alguém Precisa Falar #40

Monday, March 30th, 2009

Olá pessoal. A partir desta semana estou retornando o Alguém Precisa Falar no formato novo em video. A minha proposta é cada semana trazer um bate-papo com amigos e convidados.  Para quem nunca me ouviu poderá estranhar a qualidade deste podcast pois assim como meu primeiro episódio em 2005, não uso roteiro ou edito os programas.  Lógico que a qualidade técnica está muito inferior aos tradicionais e consagrados podcasts do momento. Mas não tenho nenhuma ambição em chegar aos pés deles e sim fazer algo que eu gosto, que é bater um papo sem compromisso.

Pois bem, para quem está pensando em iniciar um podcast novo, não use o meu como referência. Pois o meu podcast é “Nonsense” e o pior não tenho muitos ouvintes.  Este podcast é somente para amigos pois quem não me conhece, me achará ridículo e sem graça. Quem me conhece, também me acha ridículo e sem graça.

Se você é mau humurado ou estressado, este não é o seu lugar. Sorry.  Mas se mesmo assim se você insistir em ouvir, agradeço a sua gentileza e desfrute do bate-papo que o Seu Silva teve com a Bia Kunze a Garota Sem Fio. Se voce preferir assistir o videocast, terá a oportunidade de ver o Charlie Stupid Little Dog “participando” da gravação.

 


Alguem Precisa Falar #40 from eddie br on Vimeo.

Bia Kunze – Garotasemfio.com.br

User da Bia no Skype e Gtalk:  Biakunze

Twitter: @garotasemfio

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Qual é o melhor formato para Podcast?

Tuesday, March 17th, 2009

Uma das perguntas que eu sempre vejo “rolar” no twitter, blog ou em podcast é sobre qual é o melhor formato para fazer um podcast. Embora eu tenha uma opinião formada sobre este assunto,  protelei em escrever porque eu sei que muitos podem achar que a minha opinião não pode ser baseada como um guia para se ter um podcast de sucesso. Basta citar o Alguém Precisa Falar - podcast que eu gravava a uns anos atrás -  que este sim é um manual prático de como não gravar, pois todos os erros possíveis, são encontrados nele.

Não quer dizer que eu tenho medo do que as pessoas vão falar ou pensar, mas é que ultimamente na podosfera, qualquer  ( i ) sem acento, acaba tomando proporções inimagináveis, tendo que ficar aqui se explicando ou desenhando para tentarem entender o meu ponto de vista. De qualquer maneira ciente de que não tenho um podcast de sucesso, resolvi  opinar sobre o formato devido observar e ouvir vários podcasts americanos de sucesso.

E antes que alguém me fale “Mas não podemos comparar Brasil com os EUA, pois a cultura é toda diferente”,  já vou cortar a palavra porque estou cansando desta desculpa sobre culturas, sobre países.  A televisão, a rádio brasileira, todas se baseiam nas TVs e rádios daqui ou de outras partes do mundo. Desde um cenário do Jornal Nacional até o formato de um talk show. O brasileiro sempre ouviu ou assistiu e nunca questionou se o programa faz sucesso ou não devido se basear em programas estrangeiros. Então não tem nenhum problema eu usar exemplos de podcasts americanos para tentar mostrar a minha opinião.

O que eu vejo no Brasil hoje é que “criou-se” um formato e ninguém deve se atrever em mudar. O podcast precisa ter uma breve apresentação no início, contar os tópicos da pauta que serão abordadas, ler os emails, falar do assunto e pronto. Este é o formato que deve ser seguido. Concordo que alguns podcasts de renome nacional, tiveram êxitos utilizando este formato. E pelo fato que os novos podcasters quererem o mesmo sucesso deles, acabaram gravando nos mesmos parâmetros, uns indo mais longe de gravar até mesmo uma abertura igual. Mas este assunto até desisti de bater na tecla, porque eram palavras ao vento.

Na minha opinião (leia o disclaimer deste blog) não existe um formato certo ou errado. Usar um formato de algum podcast famoso não irá garantir o sucesso como também não usar, irá ser um fracasso.  Vejamos por exemplo o Jornal Nacional. Muitas emissoras tentaram copiar o formato, contrataram até jornalistas da Globo e não tiveram o sucesso. Neste caso também as emissoras que tentaram mudar o formato ou fazer algo inovador, também fracassaram.

No podcast é a mesma coisa. Não adianta você copiar o formato do Nerdcast ou Rapaduracast por exemplo se o seu podcast não tem conteúdo. O que eu vejo acontecer no podcast brasileiro é o seguinte: Quando os novos começam a gravar seus podcasts, eles não estão preocupado em criar um programa com a sua identidade, com a sua cara. Eles querem é logo fazer sucesso e para isto copiam os que já estão no sucesso.  Até certo ponto não acho errado isto desde que ao adquirirem experiências, vão se adaptando para um formato ideal.

E qual seria este formato?

Uma coisa que aprendi é que o ouvinte quando gosta do conteúdo, ele não tá nem aí para o formato. Eles não se importam se o email é no início, meio ou fim. Não se importam se no inicio você diz o que vai acontecer ou não. Esta é uma boa questão que sempre vejo o pessoal aí no Brasil discutir desta importância de dar uma geral no assunto que irá abordar para o “caboclo” não ficar perdido.

Eu não vejo esta necessidade de ficar “perdendo” tempo por assim dizer fazendo um resumo do que irá falar. Para isto tem o tema ou o título do podcast. E pelo tema, as pessoas devem já saber o que virá. Vou citar 2 exemplos práticos:

Primeiro temos o IDGNow Café, um podcast conhecido de tecnologia. Na abertura eles seguem o mesmo exemplo do Jornal Nacional dizendo boa tarde hoje iremos falar sobre isto, aquilo e tudo mais. Realmente é um bom podcast para quem quiser ficar informado sobre informática ou tecnologia. Será que é possível fazer um podcast com o mesmo assunto mas não começar falando dos assuntos que irão abordar?

Temos o exemplo do Twit Podcast do Leo Laporte. É um podcast sobre tecnologia e informática que você vai sabendo dos assuntos abordados e discutidos de acordo que vão aparecendo. Ao invéz de “perder” tempo falando sobre o que irá abordar, eles vão discutindo e os assuntos vão fluindo naturalmente. É como se tivesse lendo um livro. Eu não quero saber o que irá acontecer no meio ou final do livro por ficar lendo o título de cada capítulo pelo índice. Eu prefiro que a história vá fluindo. Mas como fui bem claro, isto é apenas a minha opinião e não regra a ser seguida.

Outra fator que é bem discutido é se devem ser lidos os emails no início ou no fim. Um bom podcaster na minha opinião tem a facilidade de transformar uma simples leitura de email como um complemento do show. Para outros é apenas uma parte monótona para os ouvintes e em alguns casos até irritante. Novamente observando bons podcasters americanos não existe um formato certo ou obrigatório. Embora aqui nos EUA a tendência é sempre ler no final. Cito exemplos de podcasters como o Diggnation, Buzz Out Loud da CNET, Daily Giz Wiz com o Leo Laporte. Todos eles, podcasts de sucesso a nível mundial, leem os emails ao final do episódio. É uma regra? Não. Simplesmente no caso deles é mais prático e tenha certeza, o episódio não perde o sentido.

Me lembro em 2005 quando comecei a gravar podcast,  surgiu uma polêmica parecida com as de hoje. Muitos não concordavam com os podcasts do PodBrasil do meu amigo Sérgio Cestaro porque eles eram gravados em estúdios, com vinhetas ao estilo de FMs e vozes de locutores. Muitos achavam que o podcast deveria continuar no amadorismo, estilo caseiro sem muita técnica. O tempo provou que os que estavam contra ao formato oferecido pelo PodBrasil, estavam errados.  Ou seja, o pessoal do PodBrasil, quis fazer algo diferente do que era praticado na época e realmente deu certo pois tiveram podcasts de sucesso.

O pessoal não devem ter medo de arriscar ou inovar. Outro exemplo que gosto de citar é do podcast No Agenda do Adam Curry e John C Dvorack. Quando começou e até algumas semanas recentes, não tinha vinhetas, comerciais, ou roteiro. Apenas um bate papo de 2 amigos que não se preocupam em seguir um formato padrao de podcast. E o resultado? Um excelente podcast com mais de 150.000 downloads.

O ponto é que o ouvinte não se importou que o podcast era “pobre” na produção. Devido o conteúdo ser bom, não ter vinhetas, musica ou qualquer maquiagem, era detalhes ou ficou desapercebido.

Para fazer então um resumão:

Não importa se no seu podcast você anuncia antes o que irá abordar ou não, se lê os emails no início ou no fim, se toca música comercial ou podsafe. O que importa é o conteúdo. Tenha certeza que se o assunto for interessante, os ouvintes não se importarão pelo formato. Eles voltarão a ouvir ou baixar os programas não porque a leitura do email é no início. Eles voltarão porque gostaram da forma que foi conduzida.

 O melhor formato para se gravar um podcast é aquele que você se sente bem independente do que os outros vão falar. E não se esqueça, não tenha medo de inovar ou usar a criatividade.

Podcast, rádio na internet?

Wednesday, March 4th, 2009

Não sou formado em radio e tv, não tenho experiência em estúdios ou alguma formação nesta area de comunicação. Eu sei que para muitos isto é necessário para poder expressar uma opinião séria sobre o assunto que envolve o podcast.  Alguns podem até se perguntar então porque estou aqui expressando a minha opinião?

Na realidade a única qualidade que tenho nesta area é o entusiasmo. Foi justamente o entusiasmo que me cativou para ouvir podcast. Por que eu vi que qualquer pessoa, independente de sua formação, seu conhecimento e profissão, poderia criar um podcast.

Nos últimos 2 dias rolou uma discussão pelo twitter devido um comentário meu sobre achar errado comparar um podcast com radio na internet.  Vieram ataques de todos os lados, “provando” por A e + B que comparar um podcast com radio é a melhor forma de  ensinar os leigos. Aí que o  problema pegou de frente comigo. Primeiro que eu não subjulgo ninguém achando que os “leigos” não tem condição de aprender algo. Eu acredito e espero não estar errado que todo o ser humano, independente de sua raça, formação ou cultura tem sim condições de aprender.

Um bom exemplo que posso citar é o ORKUT. Eu para ser sincero, nunca usei, não tenho a menor idéia de como funciona, como envia ou para que serve o tal de “scraps” – se é assim que se escreve – sou um verdadeiro leigo nesta area. Mas pelos comentários no twitter, até mesmo matérias em jornais parece que o brasileiro adotou o Orkut. Aprendeu usar e a divulgar esta ferramenta. Se o brasileiro é “leigo” como todos pregam, como eles estão usando o Orkut? Acredito que alguém teve que ensinar ou eles aprenderam sozinho. Seja qual a forma, aprenderam a usar. E o dia que eu me interessar pelo Orkut, gostaria que alguém me ensinasse corretamente e não me enganando ou duvidando da minha inteligência ou capacidade de aprender.

Muitos acham que é difícil explicar para os “leigos” que o podcast é um arquivo de áudio publicado via feeds (fontes) de RSS e que estes arquivos de podcasts podem ser baixados e reproduzidos num computador ou aparelho portátil tais como iPods ou MP3 Players. Como o “leigo”vai entender o que é RSS? Pra que confundir a cabecinha deles? Diga logo que o podcast é uma rádio na internet e pronto, ele entende e não complica.

Ao meu ver, se o “leigo” consegue entender o que é um “scraps” que é uma palavra bem mais complicada do que o RSS, ele terá chances de aprender corretamente o conceito do podcast.

Mas qual é o conceito? É realmente uma radio na internet?

Confesso que realmente é mais fácil vender o podcast como rádio. Principalmente para quem ganha $$ com podcast. E não vai ser eu aqui que vou obrigar as empresas ou os podcasters que ganham $$ com seus produtos a mudar este conceito.  Afinal um bom vendedor,  usa diversos argumentos para vender o seu peixe.

Eu não vejo o podcast como um audio, mp3 ou um video. Se pensar desta maneira realmente estaremos globalizando tudo e aí qualquer som emitido na internet ou no seu computador, será um podcast. Opsss acabei de soltar um podcast.

Quando o Adam Curry criou o conceito do podcast, na minha opinião ele estava inventando uma nova mídia. Na época já existiam as web radios e os audios blogs, o que muitos acham hoje que é a mesma coisa do podcast. Foi justamente aí que apareceu o meu entusiasmo. Eu consegui entender a idéia do Adam Curry. Que esta nova mídia estava abrindo caminho para um outro mundo totalmente diferente que existia na época. Um mundo onde qualquer pessoa poderia ter uma voz ativa, não precisaríamos mais depender de editores, estudios ou alguma rádio.  Bastaria apenas ligar o microfone,  falar, gravar e disponibilizar na web . Você pode pensar mas isto já existia antes, você mesmo citou os exemplos da web radio e audio blog. Sim existia mas da forma que era feita as pessoas precisavam ficar na frente do seu computador. Realmente você estava ouvindo uma rádio na internet.

Com o podcast, isto mudou. Foi justamente a junção do AUDIO + RSS que mudou a historia. Muitas web radios mudaram seu formato e muitos audios blogs ganharam Feeds.

O motivo do meu comentário que citei no início no twitter é que muitos concordam que o podcast não é uma rádio na internet mas preferem falar assim enganando os “leigos” por assim dizer porque é mais prático, fácil e futuramente quando ele estiverem mais familiarizado com o assunto, basta ensinar corretamente ou deixarem eles descobrirem diretamente. Não sou a favor deste pensamento por 2 motivos, primeiro você está subjulgado a pessoa achando que ela não tem uma inteligência suficiente para aprender ou você não tem confiança em si mesmo em explicar corretamente. Segundo que a pessoa aprendendo errado, irá passar a informação errada para outras pessoas. E assim vai a bola de neve.

No twitter eu citei o exemplo do microwave. Quando foi lançado, não foi preciso ensinar os “leigos” falando que era como que um fogão sem gas. A minha mãe aprendeu a usar sem precisar entender como as ondas esquentavam ou cozinhavam o alimento. Simplesmente o microwave foi apresantado ao comércio com um novo conceito para a cozinha. Da mesma maneira o podcast. Não precisamos falar que é uma rádio na internet com medo que elas não aprendam. Precisamos sim falar o conceito do podcast para que elas venham aprender corretamente e saber distinguir um fogao a gaz do microwave ou um podcast de uma radio na internet.

É interessante as radios aqui nos EUA que transmitem via internet. Elas mesmos diferenciam suas transmissões do podcast. “Escutem nossa programação LIVE ou se preferirem, baixem os nossos podcasts.” Tantos as radios, como TVs, jornais e qualquer podcasters, tem a preocupação em ensinar seus ouvintes. Parece impossível mas muitos americanos também não tem idéia do que é um podcast. E acredite, com milhares da radios Ams e FMs, HD radio, Satélite radio, Pandora, Aol Radio e outras web radios, se você não explicar corretamente o que é um podcast, você corre o risco sim de perder um ouvinte, pois no meio de tanta opção, só se for muito bom o seu programa.

Como falei no início, esta é apenas uma opinião de um entusiástico. Não quero ser a palavra final como também não quero impor a minha opinião. Não acredito que devemos parar com esta discussão mesmo alguns achando que o assunto está já cansativo e chato. Devemos sim discutir, discordar, opinar. Desta maneira estaremos abrindo a nosa mente, atiçando a curiosidade de muitos e o principal, trazendo mais ouvintes para esta maravilhosa mídia que é o podcast.

Independente de todos discordarem ou não, vou sim continuar a divulgar o podcast. Continuo achando que não é uma radio na internet e sim uma nova mídia. Mas respeito as opiniões de outros, principalmente os que tem conhecimentos técnicos.

Para quem quiser ler uma opinião contrária do Seu Silva, leia o excelente post da minha amiga e prefeita do @maestrobilly a Mafê @mellancia Confesso que quase concordei com tudo :)  Também leiam os excelentes textos sobre podcast do Sérgio Vieira  @sergiovds

Alguém Precisa Falar

É errado ganhar dinheiro com Podcast?

Thursday, December 18th, 2008

Meu sonho era poder levantar de manha, após um belo breakfast, ler The Wall Street Journal inteiro e depois sentar na frente do laptop e escrever algumas polêmicas e viver disso.  Só de escrever. Por que não consigo? Afinal o que tem de blogs aí que não formam opiniões, apenas replicam posts de outros ou videos do youtube e ganham com isso?  Modéstia a parte pelo menos eu consigo escrever polêmicas. Mas não consigo ganhar dinheiro. O motivo é que eu não amadureci. Não tenho uma periodicidade ou um compromisso com os meus leitores. Hoje posso estar escrevendo e o proximo post poderá ser daqui três meses se der na telha. Mas uma coisa eu posso garantir, sou realista. Não ganho dinheiro com o blog por que não sou responsável. Não uso uma desculpa que escrevo por que amo e o dia que parar de amar, irei parar de escrever. Escrevo porque eu quero e se ainda um dia ganhar dinheiro com isto sera melhor ainda. Não acho errado ganhar dinheiro com blog.

 

O mesmo se dá com o podcast. Ontem neste blog postei sobre o “quando podcast brasileiro irá amadurecer”. Pelos comentários aqui no blog, na lista de discussão e pelo twitter recebi varias “desculpas” ou “opiniões”sobre este assunto. A principio deu para tirar duas conclusões:

 

1 – Ganhar dinheiro com podcast é uma heresia. Inconcebível.

2 – Podcaster não pode ser criticado. Só é permitido rasgações de seda.

 

Qaundo comecei a gravar podcast em 2005 eu realmente não tinha nenhuma ambição pelo modo que eu gravava o programa. Gravava sem roteiro, sem script e sem edição. Se alguém baixar algum episódio do Alguém Precisa Falar verá como era Tosco. Eu ainda deixei os 30 e poucos episódios no ar para as pessoas aprenderem como não fazer podcast. Até achei incrível não receber nenhuma crítica no meu post sobre amadurecimento sendo que o meu proprio podcast é de baixa qualidade. Mas eu podia ganhar dinheiro com o podcast? Sim, se eu amadurecesse.

 

Quando perguntei sobre quando o podcast brasileiro irá amadurecer, muitos pensaram que para isto o podcast precisaria mudar o formato, seguir um roteiro ou virar um enlatado. Para muitos a palavra profissional leva a algo feito por profissionais, por estúdio ou uma empresa.

 

Muitos acham que o dia que o podcast amadurecer, irá ficar “boring” ou perderá a graça porque estará num formato profissional. E aí continua a velha desculpa que podcast é para amadores, que todos gravam porque amam esta mídia e que não estou interessado em ganhar com isto. É meu hobby, faço porque gosto, ouve quem quer.

 

Mas não vou ficar aqui tentando provar minha teoria e mostrar que todos que pensam desta maneira estão errados. Pois aprendi que até mesmo na comunidade de podcast, você precisa ser politicamente correto. Não pode criticar ou expressar suas opiniões a não ser que seja uma rasgação de seda.

 

Alguns podem pensar: Pô só por que o cara fez o Prêmio Podcast, já pode agora ficar falando o que pensa o que acha.”  Acreditem, não apenas eu como todos os jurados podem falar sobre isto. Por que tivemos que ouvir todos. E não foi uma tarefa fácil.

 

Ao falar que o podcast precisava amadurecer o que eu quis dizer é que a mentalidade dos podcasters precisa mudar. Precisam ser realistico. Precisam ser humildes o suficiente para enxergar uma crítica ou uma sugestão.

 

Hoje o podcast profissional é ligado a aqueles que tem uma boa edição, um bom conteúdo e uma periodicidade. Será que todos podem ser profissionais? Sim. Não quer dizer que a pessoa precisa ser um locutor, trabalhar em radio ou gravar em estudio.

 

Mesmo os podcasters chamados de  “profissionais” são na realidade amadores. Pois a maioria não teve uma formação para locução. Amador não quer dizer que não tem condiçoes de fazer algo bom. Amador não quer desmerecer ninguém. O Nerdcast é um podcast profissional devido seu conteúdo, sua periodicidade mas é um podcast amador. Pois é gravado em casa, no computador sem nenhum estudio por de tras. E isto não os desmerece.  É possível fazer um podcast igual o Nerdcast? Sim.

 

O Rapaduracast é um podcast profissional, pelo conteúdo, pela audiência pela periodicidade. Mas é um podcast amador, pelo modo que é gravado. Não quer dizer que estamos desmerecendo eles.

 

A Monalisa de Pijamas, tem audiência, tem edição tem periodicidade. Pode ser chamado de profissional mas também é amador. Pelo modo que é gravado. E tanto outros que segue o mesmo modelo.

 

O que eu quero mostrar que qualquer podacast pode  “amadurecer” e virar “profissional”, e tem chances de ganhar dinheiro com isto

 

Assim como os podcasts que citei que são considerados profissionais, eles não perderam a identidade, o formato ou a audiência. Pelo contrario por terem “amadurecidos” a audiência aumentou mais e mais.

 

Provando que “amadurecimento” não significa você perder a sua identidade, perder a sua audiencia. Significa que você está preparado para o proximo estágio que é ganhar dinheiro com podcast.

 

Aí vem o pessoal que fala que grava por “amor” por “hobby” por que gosta. E que o Brasil não está preparado para isto, só nos EUA deu certo, a cultura brasileira é outra e por aí vai as desculpas.

 

Primeiro, por mais que seja por amor, por mais que seja um novo hobby, por mais que não tenha nenhuma ambição financeira, o podcast precisa amadurecer. Eu consigo enxergar o potencial em todos os podcasts. Mas infelizmente para alguns que não conseguem “amadurecer” é mais fácil falar que faz por hobby, por amor. Eu sei que estas palavras são fortes e podem estar pegando de frente com alguns, mas esta é a realidade. Não posso ficar só dando tapinha nas costas. É preciso ser realista.

 

Eu não acho errado um podcaster ganhar dinheiro com o seu podcast. Eu pulo de alegria e não é demagogia, quando um podcast no Brasil consegue anuncios em seus programas. Isto é uma recompensa pelos esforços, pela dedicação pelo seu conteúdo. Eu acho também legal quem ganha dinheiro indiretamente com o podcast como alguns portais ou até mesmo o Estúdio Mellancia que produzem podcasts corporativos.

 

O interessante é que você pode ganhar dinheiro com podcast diretamente ou indiretamente mas para isto precisa “amadurecer” acreditar no seu potencial, acreditar no seu produto.

 

Ou seja não é errado ganhar dinheiro com podcast. É possível desde que tenha um amadurecimento geral onde os podcasters acreditem que eles podem ter condiçoes de igual pra igual com podcasters chamados “profissionais”

 

Eu estava com um projeto de abrir uma agência no Brasil onde iria captar anuncios para podcasts desde 50 downloads semanais como acima de 20.000 downloads semanais. Mas devido esta falta de “amadurecimento”  vi que realmente hoje somente alguns tem chances de atrair investimentos. E acreditem, não é por culpa do Brasil, cultura ou qualquer outra desculpa.

 

Talvez agora alguns possam entender o porque de eu ficar pegando no pé do pessoal pois como um empreendedor, eu acredito que é possivel ganhar dinheiro com podcast e não será pecado.

 

Mas todos também precisam acreditar que é possível, que não tem nenhum problema nisso e que seus ouvintes é que irão ganhar pois a partir do momento que entra um patrocínio, a qualidade a periodicidade automaticamente aumenta.

 

Eu ia terminar este post dando os nomes dos podcasts que eu tenho certeza que tem condições de ganhar dinheiro. Mas resolvi deixar para vocês imaginarem por si mesmo, analizarem seus próprios programas e chegar numa conclusão honesta sem a desculpa do amor, do faço por que gosto.