Quando o podcast brasileiro irá amadurecer?
Passado a correrria do Prêmio Podcast 2008, hoje posso sentar tranquilo na frente do laptop e pensar nos resultados deste prêmio.
Não tem como negar que com a ajuda de todos os participantes, o prêmio foi um sucesso. Embora alguns acharam injustiças em certas categorias, mas no total, não teve aquela choradeira esperada. Se todos ouvirem os podcasts ganhadores principalmente no quesito técnico, verão que houve um consenso.
Após o prêmio, após a correrria, o que podemos tirar de proveito? Bom na minha opinião e de quem vê as coisas de fora do Brasil, posso dizer que o podcast brasileiro precisa melhorar muito. Está muito amador e não quero me referir a edição ou gravação.
Sei que temos muitos podcasts bons, profissionais e temos diversos podcasts que agradam o gosto de seus ouvintes. Mas isto não é suficiente para atingirmos o proximo estágio que seria a publicidade no podcast brasileiro.
Temos hoje diversos podcasts com assuntos variados mas é pouco para conquistar os patrocinadores. Por quê?
Porque o podcast brasileiro não é levado a sério. Não quero culpar aqueles que não tem tempo para gravar ou editar seus programas devido seus afazeres diários.
Mas o que eu quero dizer que infelizmente hoje embora tenhamos centenas de podcasts no Brasil, somente alguns tem condições de cativar o interesse de algum cliente.
O podcast hoje neste final de 2008 é o mesmo do podcast no final de 2005. Todo mundo gravando, todo mundo querendo ter o seu espaço na esperança de ganhar dinheiro e poder viver só de podcast. Mesmo o Prêmio Podcast 2008 ter sido um sucesso e quem sabe seja um ânimo para muitos melhorem seus episódios ou começarem a gravar, eu vejo a realidade diferente.
Em 2009 se não tivermos cuidado, teremos um podfade enorme. Em outras palavras, podcasts que hoje fazem sucessos poderiam desaparecer no proximo ano. Pelo simples fato de não terem um retorno financeiro. Não consigo ver pessoas largarem mão de sua vida pessoal ou familiar e se dedicar exclusivamente ao podcast sem ter um retorno financeiro a não ser, as noites sem sono tentando editar seus episódios ou as encheções dos ouvintes impacientes.
A realidade do podcast brasileiro hoje é o seguinte: Somente alguns “gatos pingados” que se preocupam em ser pontuais, em ser profissionais – não na questão edição e sim do conteúdo – que poderão ter chances de conseguir algum patrocinador. Quando digo patrocinador não quero dizer um banner no site e sim um patrocínio de audio.
Mas como assim ser profissionais em seus conteúdos?
Posso afirmar sem medo que hoje muitos podcasters estão perdidos, tentando achar uma identidade ou achar um formato. É normal hoje ouvirmos podcasts imitando a introdução de outro podcast que conseguiu certo destaque na mídia nacional. Não quero dizer que é errado se inspirar em alguém para gravar o seu podcast. Mas o que cativa os ouvintes é a originalidade ou a identidade do podcaster. Eu pessoalmente não escuto podcast que copiam o formato de outros e não se preocupam em criar a sua própria identidade.
Fora isto, temos ainda o problema do conteúdo. Muitos podcasters não se apegam a proposta inicial que era comentar sobre certo assunto. É normal hoje podcast de tecnologia por exemplo ficar fazendo programa de nostalgia lembrando suas épocas de infância.
O que apareceu de podcasts falando sobre filmes da sessão da tarde não foi brincadeira.
E este será um fator determinante ao podfade. Porque é legal ficarmos contando histórias de nossas vidas mas chegará um momento em que não teremos mais historias engraçadas e por não ter criado uma audiencia específica em determinada categoria, começará perder a audiencia e aos poucos irão parar de gravar.
Hoje também muitos podcasters acham que por ser o podcast uma mídia independente, podem falar o que bem querem como se fosse o dono da bola. Mas esquecem das pessoas do outro lado – os ouvintes – e até dos prospectivos anunciantes.
Por exemplo é normal ouvirmos podcasts recheados de palavrões onde os podcasters se orgulham de poder falar e não ter quem os censure. Se a pessoa tem um linguajar de baixo calão, não vai ser eu ou o José que fará ela parar. Mas tudo isto podia ser resolvido por uma simples tag “explicit” onde o ouvinte saberá que terá chances de ouvir palavrões e não escutará o episódio no serviço ou com a família no carro ou em casa.
Um anunciante com certeza não vai querer associar o seu produto com um podcast baixo, com um podcast que não tem personalidade onde não sabemos o que acontecerá no proximo episódio.
Por isso que afirmo com certeza que em embora o podcast esteja já divulgado no Brasil, já cativado muitos ouvintes, eles estão longe de serem profissionais. E aí cai na minha predição que apenas algumas dezenas, poderão se dar bem financeiramente falando.
Os demais irão continuar como estão, fazendo episódios para amigos, não tendo nenhum ambição maior ou o pior se iludindo que o seu podcast é bom ao ponto de ter um anunciante.
Não quer dizer que estou desanimando o povo a parar de gravar podcast. Longe disso. Estou apenas alertando, mostrando que sim é possível um podcast ganhar dinheiro com publicidade. Mas para isto deverá acordar. Cair na realidade. Ser profissional no quesito pontualidade, no quesito conteúdo.
A realidade é simples e clara. Se os podcasters hoje não tomarem uma atitude. Não enxergarem o podcast de uma forma diferente, com grande potencial financeiro. Teremos vários podcasters desaparecendo do cenário e milhares de podcasts clones aparecendo devido a inspiração de alguns.
Tenho certeza que no Premio Podcast 2009 teremos mais participantes, mas não quer dizer que a qualidade e o profissionalismo – mais uma vez não quero me referir ao modo de ediçao ou gravação e sim como os podcasters tratam seus ouvintes – irá se destacar em todos os participantes.
Desculpem a sinceridade mas Alguém Precisa Falar.
Tags: Podcast, premio podcast

December 17th, 2008 at 12:47 am
Apóio sua visão Eddie! …precisamos de mais sinal no meio do ruído.
O termo “problogger” já começou a ganhar algum sentido, enquanto “propodcaster” ainda soa algo distante, mas acho que podemos chegar lá!
December 17th, 2008 at 5:54 am
Sábias palavras Mr Silva, e esse jeitão de fazer podcast aos berros e gritos acaba cansando os ouvidos e passando uma imagem que podcast é coisa de moleque.
December 17th, 2008 at 9:54 am
Concordo com 90% do escrito aqui. Precisamos lembrar que ainda que assíduo em sua publicação, ainda que com conteúdo, o podcast é um produto de NIcho. Não acho que os gritos, nostalgias e superficialidades do gênero devam desaparecer. Isso tem seu público ainda. Todo jornal de economia tem seu segundo caderno, pois não?
Mas a necessidade de profissionalização e compromisso com conteúdo deve existir sempre, sem dúvida.
E, ao final, mercado, público e meio fazem a seleção natural, não é?
December 17th, 2008 at 10:13 am
Perfeita Colocação!
Existe uma falsa nostaugia dos podcaster nao existe um plano definido.
December 17th, 2008 at 10:36 am
Interessante ponto de vista Eddie.
Concordo que muitos de nós, podcasters, podemos ajustar nosso rumo para desenvolver a mídia e lucrar com ela, mas isso também depende das intenções e objetivos de cada um.
O cenário está uma zona pq ainda é muito experimental, e vai permanecer assim até que os “propodcasters” apareçam e conquistem seu espaço.
Até lá, o público vai experimentando de tudo e garimpando o que mais gosta.
Podcasts como o Depois das 11 sempre serão um problema, pois todos os apresentadores já tem carreiras direcionadas e intenções profissionais que não vislumbram lucro com podcasting. Fazem isso de forma amadora, só pra se divertir e desestressar. E gritar. =D
Claro que, com o tempo, a tendência é sumirmos, mas sempre haverão podcasters experimentais fazendo isso só por diversão. Por isso iniciativas como o Prêmio Podcast são tão importantes, pois ajudam a separar o joio do trigo, facilitando a crescimento de quem leva o podcast realmente a sério, como algo que pode se profissionalizar (mesmo que alguns amadores, como o Dd11, figurem por lá).
Nem todos buscam a grana, alguns só querem massagear o égo, outros socializar, outros se expressar, outros se encontrar pra beber, enfim, os fins se justificam no meio.
Apoio totalmente a profissionalização para quem pretende usar o podcasting para ganhar dinheiro ou crescer de maneira sustentável. NerdCast e RapaduraCast são ótimos exemplos de que isso dá certo.
2009 promete, vai ter muita gente boa chegando por aí e muitas idéias novas pipocando na podosfera brasileira. No mais, VQV!
December 17th, 2008 at 11:58 am
Sim, precisa se profissionalizar, atrair clientes e tudo o mais. SIm, é precisa aumentar o nível. Mas lembre-se também que há podcasters que não querem se profissionalizar, que querem fazer o podcast de seu jeito. E da forma como você escreveu o post, fica parecendo que você acha que todo mundo quer ganhar dinheiro com podcast, mas ainda são apenas amadores.
Mauro lembrou bem, é um produto de nicho. A maioria das pessoas fazem por gostar daquilo, e apenas alguns estão tentando ganhar dinheiro.
December 17th, 2008 at 12:14 pm
Thiago, concordo que tem muita gente que faz for fun. E fui bem claro que os que fazem for fun chegara uma hora que ira cansar de fazer isto, de deixar de ficar com a familia e passar horas e horas editando sem ter retorno financeiro.
Nao eh errado pensar em ganhar dinheiro com podcast. O que eh errado pensar que com um podcast amador irar atrair anunciantes.
Eu mesmo me incluo no meio destes amadores. Sou realista. Nao quero desmerecer ninguem mas quem pensar no proximo estagio que eh a publicidade, tera que amadurecer muito.
Para aqueles que so querem se divertir e animar seus amigos, desconsidere este texto.
December 17th, 2008 at 12:44 pm
Como toda mídia, o podcast tem seus vários lados. Se por um lado existem os profissionais (que possuem compromisso com publicação, conteúdo, boa edição e algum apoio comercial), por outro lado existem os amadores. Mas o que é ser amador? Não é amar o que faz? Muita gente faz podcast por gostar da mídia. Por gostar de reunir os amigos e conversar sobre algo. Muitos fazem podcast para serem notados. Tem algo de errado nisso? Eu não acho que o meio podcast devam existir apenas podcasts profissionais. Essa é uma discussão que existiu no começo da internet, onde falavam que tem muita coisa boa, mas que também tem muita coisa ruim. Hoje discutem isso? Não, porque virou caso de bom senso acessar ou não.
Eu concordo que para uma mídia que está crescendo e aparecendo, alguns empresários podem acabar pegando uma referência errada da mídia ao escutar determinados podcasts “sem compromisso”. Mas sempre foi assim. Existem MUITAS rádios realmente boas no Brasil? Eu consigo contar nos dedos das mãos. Existem muitas redes de televisões realmente boas no Brasil? Eu consigo contar nos dedos da mão. E vejam o tamanho do Brasil. Infelizmente, como qualquer mídia, apenas alguns vão se destacar por causa dos vários pontos que o Eddie citou no texto. Mas existe muita rádio, existe muita rede de televisão e existe muita gente fazendo podcast. O critério de qualidade cabe ao público decidir. A razão do podcast ter uma disparidade da qualidade na mídia podcast é só porque qualquer pessoa pode fazer. Todo cidadão, como pouco esforço, consegue produzir um podcast. Por ter essa facilidade, muita coisa ruim vai surgir.
No fim das contas, se o público gosta de determinado tipo de podcast, é ele quem vai definir a mídia. Os empresários investem em poucos programas por pura falta de conhecimento. Eu já escutei muitos deles falando que a quantidade de ouvintes, de certo modo, não era tão importante assim. Eles querem resultados proporcionais ao investimento. Mas para isso acontecer, o podcaster tem ser profissional, pontual, com um bom conteúdo (para o seu público), etc.
Finalizando, eu acho que não podemos perder o espírito amador. Amador no sentido de gostar do que se faz. Quando ficar só profissional, sem tanta empolgação em cima daquilo que você está discutindo ou falando, com certeza o público vai dizer que determinado podcaster é mais um vendido da mídia. E assim como tudo na vida, aqueles podcasts que não conseguirem encaixar, vão acabar morrendo ou não se preocupando com a regularidade e dizendo: “Lanço quando der”.
Faço uma pergunta: os grandes medalhões do podcast nacional andam produzindo seus programas? Se os anciões do podcast brasileiro não produzem, fica ruim a galera mais nova pegar como parâmetro e inspiração nos grandes mestres. Por isso acabam se inspirando nos programas mais populares e acabam virando um mundo de genéricos. Assim como crianças buscavam em livros populares para fazer seus trabalhos, os podcasters mais novos precisam de referências daqueles que trouxeram a mídia para o Brasil.
Cobrar originalidade de uma mídia sem história ativa no Brasil é complicado.
December 17th, 2008 at 1:07 pm
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Excelente texto, Eddie… E mais excelente ainda as observações do Vanassi e do Jurandir Filho… Eles falaram praticamente tudo que eu pensei em falar… Há de se separar realmente o joio do trigo, assim como os que querem espalhar a palavra sem ganhar nada com isso e os que devem se profissionalizar… Acredito que os amadores uma hora ou outra acabam ficando pelo caminho exatamente pelos motivos que você destacou.
O filecast é um podcast que está sempre na corda bamba devido à vida extranet que os seus integrantes têm, e também pelo fato de não podermos ganhar nenhum centavo sequer devido à nossa natureza undergound… O nosso podcast, dessa forma, sempre será amador, mas isso não impede-nos de tentar fazer uma coisa amadora de forma semi-profissional… Sempre existiu e sempre existirão a pesquisa por novos assuntos, a busca por convidados que contribuam de forma significativa, um cuidado e capricho na hora da edição e a busca pelo feedback dos nossos ouvintes (Nós somos um dos podcasts que mais dá espaço no bloco de mensagens e recados)… Nós temos fãs exatamente pelo nosso jeito “largado” e sem rabo preso com ninguém… Isso reflete muito da nossa filosofia warez e funciona para o nosso podcast mas com certeza somos exceção à regra… Se um podcaster deseja se profissionalizar é melhor passar longe do nosso estilo de fazer podcast…
Grande abraço com dancinha no final… HEHE.
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December 17th, 2008 at 1:46 pm
Concordo principalmente sobre as ressalvas de compromisso, quais nunca conseguem seguir uma linha correta sempre. É complicado. Não existe dinheiro na maior parte dos podcasts, e por isso, chega a um ponto que desanima.
Na próxima semana, vou lançar um podcast. Em meu blog pessoal falo sobre os motivos que me levaram a criação da idéia e todo o resto. A coisa funciona assim: acabei cansando de falar da qualidade de alguns e resolvi mostrar o que eu posso fazer. Foi dito acima da qualidade dos pods, mesmo técnica ou outras. Busquei, me esforcei e consegui estúdio, sonoplastia, apoio e outros .Profissional.
O podcast não precisa amadurecer por que 90% dos “podcasters” não estão fazendo podcasts. (Quanta repetição!)
Escuto muito podcast americano, britânico e até um super interessante que encontrei em latim. A questão não é amadurecer, é deixar de ter essa mentalidade retrograda de achar que qualquer coisa gravada com trilha sonora e com um ou dois cortes é um podcast. Conheço alguns podcasts que são “bons”, mas apenas para seus donos. Eu os comparo com a TV Senado sem a parte informativa.
Eloqüência, forma, pauta e outros também são extremamente importantes. Fico irritado ao ouvir pods que não conseguem no mínimo ter a decência de se resguardarem um pouco no sotaque. Se fosse igual na televisão, teríamos canais abertos com dialetos e não um idioma. Podcasters ainda precisam aprender a falar “pra fora”. E também a serem criadores de opinião e não simples manifestadores da mesma.
De qualquer forma, muitos itens falados no seu post são verdade! Monetizar podcasts não é difícil, mas você nunca vai conseguir vender um carro que não funciona direito e que ninguém gosta nem de chegar perto. Refinar!
ps; Quanto aos termos utilizados e falados em podcasts, jargões de baixo nível e outros, acho que é cabível. Mostra sim a liberdade da informação agregada a um meio de comunicação. No entanto, anarquia funciona por pouco tempo. Os sobreviventes mais tarde que contem suas histórias. Até lá, continuo em favor da liberdade de expressão! Mesmo que não a utilize (sempre) nas formas mais “vulgares”. Bom post, espero que sirva a muita gente.
December 17th, 2008 at 1:53 pm
Bom… vamos por partes:
Tudo na vida é cíclico. Música, entretenimento, artes, cinema e variedades. Nunca uma tendência de estilo se prevaleceu como dominante com o passar dos anos, e isso, na minha opinião, nunca vai acontecer, porque, de tempos em tempos, o ser humano, nos seus gostos e comportamentos, muda muito.
O podcast no Brasil está engatinhando ainda. Muito no começo. E todo começo é obscuro e tumultuado. Opiniões divergentes, gostos divergentes e temas dos mais diversos são divulgados e debatidos no meio. O que deve se observar, em primeiro lugar, é se REALMENTE QUEREMOS um perfil de podcaster brasileiro que pareça o William Bonner, dando as notícias no Jornal Nacional. Eu tenho quase certeza que não. Acredito que todos nós queremos que a mídia de podcast se desenvolva no Brasil com o maior número de temas, estilos e gostos possível.
Atingir o estágio de “podcast patrocinado”, dentro de um país onde a mídia de podcast, infelizmente, ainda é uma coisa de elite e não se popularizou é muito mais complexo do que simplesmente cravar que é o próximo estágio a ser alcançado. Isso é muito relativo: afinal de contas, já foi dito aqui que muitos de nós fazemos os podcasts porque amamos, e não visando lucro. E muitos desses podcasts que não tem o compromisso de buscar patrocínio são, na minha opinião, excepcionais, porque eles se prezam por princípios que não encontro mais na dita “mídia patrocinada”: independência editorial, compromisso com o ouvinte, assuntos interessantes, e o mais importante de tudo: o compromisso consigo mesmo. Ficar feliz quando o programa for ao ar, porque fez aquilo que queria e do jeito que queria.
Eu mesmo tenho plena convicção que menos de 2% dos podcasters nacionais (e estou chutando um número alto) vão ter a possibilidade de dizer que tem os seus ganhos única e exclusivamente vindos do seu podcast. Agora, veja bem: se isso um dia se tornar profissional mesmo, com regulamentação e todos as burocracias todas… apenas os profissionais vão poder fazer? Apenas aqueles que levam à serio ou patrocinados vão merecer reconhecimento de crítica e patrocínio?
Eu vejo que a principal função do Prêmio Podcast não é buscar patrocínio para os podcasts existentes, nem buscar a tal “conscientização da melhora de conteúdo”. O Prêmio Podcast serviu para, primeiro, mobilizar a classe dos podcasters. E segundo, mostrar que a mídia existe, pois o que senti é que só agora, com a iniciativa do prêmio e com a notoriedade de jovens (e irreverentes podcasters) como o pessoal do Rapaduracast e do Jovem Nerd, é que a mídia passou a existir para uma camada ainda restrita da população. Digo isso com fatos a comprovar: Jurandir Filho com agenda de entrevistas diversas para outras míidas fora da internet no Nordeste e o pessoal do Jovem Nerd aparecendo no Multishow. São estas pessoas que aparecem e tem o destaque merecido, porque foram ousados, irreverentes e independentes. Por isso, ainda está engatinhando sim, mas já é um pouquinho melhor do que em 2005, e por causa do trabalho dessa nova geração que lutou e gravou muito. Afinal de contas, a maior parte de nós nem ouvia falar em podcast direito em 2005.
Agora, será que o problema de conteúdo está na diversidade, na imitação, na gritaria, nos palavrões, na irreverência… ou na iniciativa? Uma das palavras que mais ouvimos ultimamente no nosso cotidiano é DIVERSIDADE. Respeitar as diferenças. Ficar preso num formato ou em um tema é um perigo, pois os ouvintes do seu podcast, de um modo geral, não ouvem SÓ O SEU PODCAST ou não ouvem SÓ O SEU TEMA ABORDADO. Falar o tempo todo só de uma coisa pode cansar o seu ouvinte, por isso diversificar é importante. Além disso, quero citar a iniciativa dos Crossovers de podcasters que, pelo visto, não está sendo bem interpretado por alguns. O que posso dizer é que, pelo menos, estamos tentando alguma coisa diferente para sim, atrair público ouvinte, mas para trazer uma integração e diversidade maior entre os podcasters. E essa, na minha opinião, tem sido uma iniciativa que tem popularizado e muito a mídia de podcast entre os ouvintes.
Para finalizar, acho que cada podcaster tem que ter sim o compromisso em trazer um bom conteúdo para seus ouvintes, uma peridiocidade de publicações, um trabalho de edição bem feito. Porém, tem que trazer o compromisso principal de ter o orgulho de poder dizer: “bom, este é meu podcast e tenho muito orgulho dele. Se você gostou, que bom! Se não gostou, que pena! Para aqueles que agüentaram me ouvir até agora, muito obrigado pela preferência e volte sempre! E se você quiser bancar este produto de mídia, será muito bem vindo!”.
Abraços a todos, e excelente post, Eddie! Abriu o espaço para uma discussão ineressante.
Eduardo Moreira
December 17th, 2008 at 2:16 pm
Até quando alguma referência ridícula ao sotaque vai virar pauta? Estamos em 2008 e o preconceito existe há muito tempo. Cobrar mudança? Ninguém muda a cabeça de pessoas sem cérebro. A tendência é que essa galera que julga que é indecente ser natural continue estagnada, de forma insignificante. E aparecendo postando baboseiras e gerando polêmica por meio de preconceito.
É bom medir as palavras quando se trata de preconceito.
Assim como sites ruins, se você não gosta de determinado sotaque, não escuta o programa. É muito mais fácil do que ficar despejando indiretas em meio as postagens sérias como esta. Chega a ser ridículo esse tipo de comportamento.
December 17th, 2008 at 2:35 pm
Aí é que está a grande questão… olha só, tenho certeza que o cidadão (Marco de Toni) que postou reclamando de sotaque se julga o culto, conceituado, superior… mas é PRECONCEITUOSO! Faltou alguém explicar pra ele que o Rapaduracast é um dos melhores podcasts nacionais e que o júri oficial do Prêmio Podcast deu, de forma merecida, ao Jurandir Filho o prêmio de MELHOR PODCASTER MASCULINO! E aí eu tenho certeza que o júri não olha para o sotaque dele. Aliás, que adianta ir lá, buscar estúdio pra fazer um podcast com qualidade sonora se dentro da cabeça o som fica ecoando?
Aí eu olho para o meu PC e fico pensando: “recentemente fui questionado e duramente criticado por ter usado palavras de baixo calão em meu blog e no meu podcast. Tenho que rever minha postura diante de pessoas com baixo teor de esclarecimento que, por exemplo, ficam pregando abertamente os mais absurdos preconceitos, como o de etinias, sotaques e religiões?”. Peraí! Quer dizer agora que ter preconceito à um sotaque é ter qualidade, é ser alto nível? Quer dizer agora que quem é lá do nordeste, se quiser gravar podcast tem que esconder sotaque? Fala sério!
Olha, decido aqui desde já que prefiro ser boca suja e ser julgado de baixo nível do que pregar preconceito contra nordestinos, homossexuais e outros segmentos religiosos. Vi isso aos montes no ano de 2008 e ninguém falou nada. Acho uma hipocrisia permitirem que estas coisas infelizmente ainda aconteçam… Marco, boa sorte no seu podcast, mas ele vai passar bem longe do meu iTunes!
Eduardo Moreira
December 17th, 2008 at 2:46 pm
Sem querer fazer pouco da geração de podcasters que trouxe essa mídia pro país, mas acho sim que a realidade hoje é completamente diferente.
Programas como Nerdcast, Rapaduracast, Monacast e Now Loading popularizaram o podcast para um grupo que não conhecia essa mídia até então. E conseguiram isso exatamente por apostar num formato diferente, por usarem o humor e por montarem pautas mais amplas para
agradar/atingir uma quantidade maior de ouvintes.
É fato que muitos podcasters novos se inspiraram nos podcasts mais famosos. Sei que o meu programa certamente foi influenciado, mas também acho que isso é normal num primeiro momento.
Até criar a sua identidade própria, a TV brasileira começou fortemente baseada no rádio. Acredito que o mesmo acontecerá com os podcasts. Eventualmente cada um vai criando o seu formato, desenvolvendo os seus diferenciais. Até por que, convenhamos, aqueles que insistirem em ser apenas uma cópia, tendem a morrer.
Parabéns ao Eddie pelo ótimo texto.
E parabéns também ao Juras, Moreira, Jabour e Vanassi pelos seus comentários, concordo com tudo que esses quatro caras disseram.
Desisti da idéia de elaborar uma resposta ao Marco, já que ele é preconceituoso com sotaques, me sinto no direito de ser preconceituoso com ele.
December 17th, 2008 at 4:03 pm
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Só uma observação…
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Conheço o Marco de Toni há algum tempo e acho que ele se espressou errado, sei lá, pois nunca soube que ele tinha qualquer tipo de problemas com sotaque… Deixem o cara responder novamente aí porque certamente ele se equivocou em algo quando escreveu o texto… Pelo menos é o que acho…
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December 17th, 2008 at 5:43 pm
Já deixei uma mensagem pro Jurandir no skype, de qualquer forma não quis ser preconceituoso.
Se for pra falar de eloquencia (como foi dito no próprio post), sotaques atrapalham. O meu mesmo atrapalha pra caramba. (Paraná)
Eu fui um dos caras que votou no rapadura, mas enfim posso ter me expressado errado no entanto não vou ficar explicando tim por tim,tim.
Senhor Eduardo Moreira, você por sua vez quando não conhece quem fala arrebenta o palanque em? Vo da bola não, que nas conversas pelo skype você parece ser no minimo de boa opinião. Então trato isso como proteção e concordo contigo. Quando ao FUTURO podcast, vou deixar FUTURO também a intenção de integrar seu itunes ou qualquer agregador. Quero mostrar qualidade e não desespero ou pedir isso como um favor.
A TODOS, desculpem se ofendi alguém que não foi a intenção realmente. Se mesmo assim, não foi possível chegar a desculpa correta. Sinto.
Abraços! mdetoni
December 17th, 2008 at 7:34 pm
Marco,
Como você se retratou, reconsidero também minha opinião a seu respeito. O que me deixou profundamente incomodado em seu comentário foi a sua frase, onde você diz: ‘Fico irritado ao ouvir pods que não conseguem no mínimo ter a decência de se resguardarem um pouco no sotaque. Se fosse igual na televisão, teríamos canais abertos com dialetos e não um idioma. Podcasters ainda precisam aprender a falar “pra fora”.’.
Acredito que o regionalismo deve ser resguardado e respeitado, pois faz parte da nossa cultura e de nossas diferentes identidades. Quanto a arrebentar o palanque, não é em relação as pessoas, mas quando as palavras e atitudes se demonstram absurdamente fora de um contexto que a própria pessoa prega. Mas como você mesmo disse, não vou detalhar meu ponto de vista aqui. Você se retratou, e quero também me retratar com você.
Sem mais, dou o assunto por encerrado.
Eduardo Moreira
December 17th, 2008 at 8:26 pm
Eddie,
Que bom que vc falou muito do que eu gostaria de falar, porém de uma forma bem mais ‘polite’.
Sou formada em Radio e Tv e qdo fiz a faculdade, nem usávamos computador ainda, enfim…quero dizer que com isto, as edições de rádio, eram feitas em ROLO, usamos cartucheira, etc..etc..
Sendo assim trabalhei muito a arte da paciência, pq pra ficar legal mesmo, tinha que ter uma boa dose. Além de tudo estudei teorica e praticamente muita coisa, principalmente FORMATO.
Áudio não é vídeo, portanto tem um formato próprio que precisa ser respeitado.
Para saber como é um formato radiofônico, simples, ouça rádio, decupe o programa, entenda o pq das aberturas apresentações, passagens e encerramento. Ouça a plástica.
Sinceramente eu me decepcionei muito com os podcasts, esperei mais. Confesso que algumas vezes votei pq tinha que votar…
Cuidado e atenção, respeito ao ouvinte é tudo, se não for assim, não faça, ou faça e não publique, ou apenas fale com vc mesmo na frente do espelho. Se vc publicou é pq quer que alguém ouça.
Por último, podcasters, por favor atentem ao nome do serviço/produto/material que estão produzindo, não é POUDcast, é PÓDcast, alguém já ouviu alguém dizer “iPOUD”??
December 17th, 2008 at 8:30 pm
[...] December 17, 2008 by mellancia O Eddie Silva, o cara que tomou a sensacional iniciativa de realizar o Prêmio Podcast, postou em seu blog sobre as suas considerações sobre o prêmio. [...]
December 17th, 2008 at 10:36 pm
Belo post, para aqueles que querer se profissionalizar. Mas existem pontos que não podem ser perdidos, como a naturalidade dos apresentadores. Para isto não precisa ser um produto simplório, pode ser bom e natural.
Agora a questão que não quer calar na minha mente é, nós não estamos apenas imitando o rádio? Será que já exploramos está mídia o suficiente para conseguirmos definir o que é ou não profissional? Eu particularmente tenho pensado, e muito, em como transpor este conceito de “rádio pirata” que está inserido em todos os podcasts que já ouvi (e no que eu faço). Este pra mim é o desafio da mídia e da possível forma de lidar com patrocinadores.
December 18th, 2008 at 4:48 am
Eddie
Na minha opinião, profissionalismo não tem nada a ver com periodicidade, conteúdo, qualidade de gravação, ter ou não palavrões, ou qualquer outro termo citado acima!
Profissionalismo tem a ver com “honrar com os compromissos assumidos” e também com “atitude”.
Se alguém criar um podcast onde 99% das palavras são palavrões, ele não está sendo “anti-profissional”. Ele só vai ter mais dificuldades para conseguir arranjar patrocinadores pois estará fora de mercado.
Ser profissional é você fechar um patrocinio para 10 episódios em um mês e lançar os 10 episódios. Ser um ótimo profissional é lançar os 10 em periodos regulares. Ser um péssimo profissional é lançar 9 episódios no dia 31, faltando 5 minutos para a meia noite! Não ser profissional é não lançar 10 episódios.
Ser profissional é também perder seus preconceitos. Se eu for fazer um podcast sobre impressoras e não falar de uma marca X só porque eu não gosto da marca por motivos “não funcionais” (p. ex.: ah, porque não gosto) também é falta de profissionalismo.
Mas já que você falou em publicidade e em dar o próximo passo, o problema da publicidade em podcasts não é o Podcast ser ou não profissional. O problema está em “como convencer que podcast é uma boa mídia para anunciar?”
A maioria das empresas cobram audiência das agências de publicidade. Se for assim, 3 ou 4 podcasts podem fechar algum contrato recebendo um ganho aceitável. E o resto? Se matar para cumprir prazos só para ganhar migalhas? Não, obrigado!
Provavelmente, o que você está querendo dizer é que os podcasters devem pensar mais empreendedoristicamente! Ai entra tanto “ser profissional” quanto “produzir com qualidade e pontualidade”. Uma boa produção aumentam as chances de se conseguir uma boa audiência, e com isso, sendo um bom profissional, aumentam as chances de conseguir um bom contrato. Ai a discussão é outra.
No meu caso, os ganhos de se gravar um podcast são indiretos. Desde “ser chamado a um evento” até “ser um diferencial no meio de tantos blogs de tecnologias”!
Abraços!
December 18th, 2008 at 4:54 am
Ah, esqueci de dizer…
O problema atual para conseguir publicidade é tentar fazer com que as agências convençam as empresas que investir em podcast, independente da audiência, vale a pena.
Recentemente escrevi um post sobre isso:
http://www.infopod.com.br/artigos/por-que-as-agencias-de-midias-sociais-nao-olham-para-a-podosfera/
E sobre atitudes, também escrevi sobre profissionalismo e solução de problemas:
http://www.infopod.com.br/mundo-corporativo/como-resolver-conflitos-profissionais-antes-de-jogar-no-ventilador/
Deixando a modéstia de lado, acho que são 2 bons textos para ler sobre o assunto!
December 18th, 2008 at 12:59 pm
[...] criador do Prêmio Podcast e grande difusor dos podcasts, comecou uma polêmica em seu blog sobre o amadurecimento dos podcasters e a possibilidade dos podcasters em ganhar dinheiro. Eu tenho a minha opinião e comentei lá. Mas [...]
January 17th, 2009 at 12:13 am
[...] Texto do Eddie Silva sobre podcasts [...]
January 27th, 2009 at 1:00 am
É Eddie, eu apoio a de certa forma a sua forma de pensar, mas por outro lado eu também sei que no Brasil as pessoas não querem fazer do podcast uma fonte de renda e sim um lugar, que como nos blogs, seus autores podem falar o que pensam e tem a vantagem de fazer isso em formato de áudio. É claro que eu concordo que o podcast poderia ser mais levado a sério, porém eu também penso na minha situação, quando eu achei seu site, eu tava procurando no google servidores de podcast gratuitos (aliás se souber de algum que seja bom, o sr. poderia, por favor, me mandar um e-mail?) com o intuito de fazer um para mim. O que eu quero com um podcast é ter um lugar mais puxado para as músicas, com entrevistas a bandas novas e djs, aonde eu possa falar sobre meus achados musicais; mas apesar de toda essa minha intenção, eu não quero nada que seja muito profissional, com atualizações diárias ou coisa parecida e como eu, milhares de pessoas também pensam assim, eles apenas querem trazer o que pensam para a net, nada que mereça ou tenha intenção de ser patrocinado.
September 4th, 2009 at 10:12 pm
[...] dezembro de 2008, num artigo intitulado “Quando o podcast brasileiro irá amadurecer?” comentei do perigo de em 2009 acontecer o mesmo que aconteceu em 2005 onde muitos pararam de [...]
November 26th, 2009 at 1:27 am
[...] Podcast eu fiz uma análise do que eu achava, do que eu via, do que eu sentia e escrevi “Quando o podcast brasileiro irá amadurecer?” falando de muitos problemas que eu via e que em 2009 se não tivessemos cuidado, [...]